domingo, junho 03, 2007

Destino Indomável.


Se você pensa com o coração
O que você sente em sua mente não importa
Mundo pintado em fantasias
Ouvindo o silencio dos olhos de um salvador
Os que não choram
Sofrem de medo
O coro de nuvens e neblina
Choram em chuvas
A vida é santa
Mais santa é a morte
O perfume cadavérico que nos persegue
Puro e indolor
Mas lúcifer também era um anjo
Beleza inigualável e pecaminosa
Continuamos marchando de encontro ao destino
Inevitável e previsível
Curioso é não fugir......................Lobato Dumond.
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Ingênuo.
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A manha triste nos traz a tempestade inspiradora
Sempre distantes da felicidade
E tão perto de uma folia
Contida em sorrisos infantis
Admito que me perdi
Mas achei no tempo em que nos afastamos
As perguntas para todas nossas respostas.

Enche-me de um vazio tão profundo
Que transborda por todas as feridas
Abrindo as cicatrizadas
Fazendo sangrar todas que nuca se fecharam
Lacrimejar anestesia a dor
Escorrendo e limpando a carne
Untando auguras e alegrias

Donde os murmúrios são silenciosos
Ao mesmo tempo
Crispados de sofrimento
Que nem diante de um urro
Seria capaz de descrever tal dor.

Nos separamos apenas na distancia
Por mais longe que estejas
Ainda somos acariciados pela mesma esperança
Aflorados pelo mesmo céu
Iluminados pelo radiar de cada estrela contida de desejos
Nos completando mutuamente
Em cada afagar de uma promessa

Apenas minha ingenuidade
Para não pronunciar inexperiência
Incide no arrependimento
Em tudo que não fiz
Tudo que não disse
Não absorver a melancolia
Emaranhado no profligar da insegurança

Minha paixão escaldante
Dileto de tudo aquilo que senti
Alicia o afligimento
Despertando uma alexia de discernimento
Buscando, almejando algo que jamais poderei cobrar;
O seu amor.
Não posso forçar-lhe a me amar
Apenas esboçar em vida
Toda a felicidade que alguém pode querer presentear a alguém...........Lobato Dumond.
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Oro e só me ouço.
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Deus age certo de maneiras erradas
Onde andas?
Minhas suplicas
Você chegou a ouvir?
Já até gritei ao raso infinito
Profundo
Perdido pecaminoso desespero
Os irmãos,
Nos abandonaram
São inimigos
Esfaqueiam pelas costas
Sangro sem chorar
Mas choro sem sangrar
Deus,
Deus eu disse!
Orai por mim
Ao menos me mande um anjo
Imaculado ou santo
Peço-lhe ajuda
Alegria aflita e dúbia
Não quero mais
Não posso mais
Ter que sofrer para poder rir
Meus pés calejados pelas brasas de vida
Disfarço-me
Vou caminhando pelos becos
Fingindo estar vivo
A verdade sempre surge
Estou morto
Sumi mo meio de tantos
Onde andas meu Deus?
Ou pior,
Por onde andamos?....................................Lobato Dumond.
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Ciclo Sem Fim.
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Eu tenho as respostas para o universo
Tudo não passa dum, de um, de nosso, circulo... Sem Fim.
Com base no infinito
Totalmente sem fim.
O universo e infinito
Engolem-se se aglomerando em si
Nenhum dos dois
Conhecem o destino
Ambos são infinitos
Ambos são universos
Totalmente sem fim
Ambos desconhecem a morte
E ate as mais minúsculas criaturas do universo
Tornar-se-ão partículas invisíveis para dar continuidade ao milagre infinito da VIDA
Isto è Deus.
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Mergulhe em um rio e eu lhe secarei.
Meu templo é o universo que gira no interminável.
Seu reino emana de mim para o universo
E do infinito para mim..............................Lobato Dumond.

sábado, junho 02, 2007

A Luz De Todos Nós.


A palavra morre na boca do poeta, onde renasce na poesia de um recém nascido,
Indo embora em largos caixões ordenados em madeira de lei.
Cara,
mais cara que a própria vida,
Sem sentido na boca de estranhos que babam dementes em busca de sua sanidade.
Somos a formiga do futuro e a luz do passado.
Avarentos orando e pedindo sem nunca se cansar.
Criaturas feitas pelas drogas que a sustentam.
Somos sensíveis,
Tão sensíveis que nos tornamos a própria frieza de ser;
E do ser.
Eternos miseráveis,
Equivalente à transformação da língua e do modo de vida.
E a voz que tumba no peito,
Não se cala na língua profana.
Junto as chupadas vorazes escorando a besta,
Que tudo toca, tudo come.
Mutilados
Meus braços quentes lhe recebem abertos e suados de prazer.
Efêmeros e profundos,
Fortes para segurar os momentos mais secos.
Somos a essências do artista que se perde ante a loucura,
E nem por isso deixa de ser belo.
A música contínua em ecos surdos
Mostrando que a carne é a moradia divina,
Assim como,
A razão sustenta todo maluco,
O maluco há de sustentar a sua própria razão.
Sempre sendo aquilo que ele quiser se tornar;
Onde, aonde e quando quiser.
O tempo é só a sua própria ciência.
Não somos mais do que nós somos,
De nós mesmos.
Mas somos muito mais do que nossos ínfimos limites.
Nos tornamos a luz que tudo ilumina,
E conseqüentemente,
Tudo apaga com seu brilho,
Tornando-se o particular de uma lágrima de felicidade.
A vida não tem limites.
Nem a morte traz seu fim,
Apenas um novo recomeço...........Lobato Dumond.

quarta-feira, maio 30, 2007

A Palma Da Mão.


A palma da mão arde segurando o cabresto
Queima em veredas absurdas
Nos inflamando a veracidade
Por um momento achamos que irá fugir ao nosso controle
E então esta a grande verdade
Consegues deter o que lhe aguarda o destino?
Não creio
Mas podemos enganá-lo por uns tempos
E isto já é um grande feito
E a mão que se segurava a toda força
Cede com os dedos já enrijecidos por tanta energia contida
E um sussurro vem aos ouvidos
Uma voz baixa e cântica
Melodiosa
Quase visível de tão bela
Chego a lacrimejar ao canto da boca
Seca
O inefável
Só a lágrima explica,
Assim como o silêncio ou
Em pólos opostos
Igualmente
A música de um louco genial
Áspera e agressiva
E surge tudo de novo com uma violência cruel
Terror bruto
O destino se mostra imbatível e inevitável
Agora devemos segui-lo de cabeça erguida
E voltamos a nos perguntar
Valeu a pena enganar o destino por tão pouco?
Por uma miséria esquecível em grãos?
E as mãos cerradas com toda força a vapor
Quebra em contingência o todo a sua volta
O tão pouco quase nada que poderíamos fazer
Torna-se o quase tudo em extremas proporções
É cruel a marcha humana
O desconhecido nunca foi desconhecido
É certo
É o destino
A luta pelo eterno recomeço recomeça
Renasce de tudo que foi cinzas
E despido de nosso materialismo
Recomeçamos a nos questionar
A magia que nos cerca é tão infinita
quanto seria burrice acreditar que a morte realmente seria o fim
A marcha humana é a vida versus sua própria criação
contra a natureza que o oprime em sua alma animal
e mesmo que a morte seja o fim
o universo não deixaria de ser infinito
nos impondo esta incompreensão
e aquela palma que segurava o cabresto
agora sustenta um mínimo grão
ínfimo
de conhecimento........................Lobato Dumond.


domingo, maio 27, 2007

O Doce Cuspi.

Nossas arvores deixaram o verde,
São cinzas feitas de pedra,
Assim como nós,
Tornamo-nos cinzas
A esperança dominada pela imaginação.
Labirintos formam palavras perdidas na boca
Mas cada um se acha em seus significados
Batizar a dor
Para lembrar do amor.

As dores de quem levanta obrigado, muitas vezes são apagadas por aquelas de quem trabalha obrigado e, tão pouco não podemos esquecer, as necessidades de quem levanta obrigado nem sempre é para o trabalho, sendo este penoso ou simplesmente praticado como um lazer. Deitada encontrava-se de bruços, emaranhadas por um lençol fino, adormecida pelo gozo fácil de uma noite repleta de lascívia, dilacerada pela vontade de rebento da monotonia, a satisfação em gosto ainda resplendia de gosto na sua boca, acordou e não moveu um músculo sequer, estava exausta, suas partes intimas, não só estas, o ventre ainda ardia, seus seios ainda traziam as marcas de mordida desprendida pelo seu amante noturno, no entanto encontrava-se leve cheia de vida, fazia tempo que não era amada com gosto, não o sexo, o sexo é comum na vida desta mulher, mas quando um homem ama o corpo de uma amada, a exaustão rebate no corpo de ambos, o orgasmo explode por toda veia feminina resumido em urros ao pé do ouvido que abafam o silêncio da madrugada, se a mulher é conduzida ao orgasmo com tamanha eficácia, paixão e suor, o sorriso satisfatório pendurar-se-á no rosto rubro sem aviso e, num suplico apelo, virando-se para dormir, pedirá um abraço caloroso transformando seu amante em coberta dos sentimentos que agora afligem o peito desnudo por entre os lençóis ainda úmidos de suor e gozo, a pele ruborizada encontra-se pegajosa, as viscosidades encobrem o odor do sexo pairado pelo ar, qualquer pessoa que entrasse no recinto sentiria o perfume natural produzido pelos corpos das pessoas que se amam, entretanto neste quarto, apenas uma mulher pende na cama, jogada de qualquer jeito e, em um lençol de tecido fino, acordada não se mexe, não está morta, não queria estar, mas dentre de estantes, a morte pode se tornar sua maior ambição. Ao estar parada ali, sentindo falta da coberta de um frio vento que soprou por ali a poucos, com o sorriso pendente olhou para o relógio marcando quatro da manhã, não queria ter levantado, quando a principio a sede sorveu o sono em um suspiro que a tirou da cama, antes, rolou ainda emaranhando-se um pouco mais por dentre os lençóis, era gostoso ficar ali com o pano entre as pernas, roçando fino e limpando o esperma e o seu suor ao redor do corpo, levantou-se na mesma lentidão em que vestiu o seu roupão ao lado da porta de entrada do banheiro, ficou a contemplar o tempo em que estivera a pouco com seu homem, não o oficial, pelo menos não vive com este, vive com Renato Soares, aquele surge algumas noites para satisfazer não apenas seus desejos carnais, mas também outros desejos mais baixos, sendo que desejos carnais todos temos a saciar, pode ser com muitos ou poucos, até mesmo um apenas, os desejos a serem saciados estão referidos ao longo sofrimento de viver ao lado de um homem que a troca por qualquer puta gostosa de um bom puteiro, ou aquela secretária que sempre quer uma aumento e da arte da sedução o consegue, o que não deixa de ser uma puta. Esquecera, contudo, do tempo, a mulher anda livremente pela casa, o marido ligara dizendo – Maria, hoje é aquela festa de lançamento da nova revista da editora, lembra-se, você não estava muito a fim de vir, mas é importante, de extrema importância para ser mais exato, que eu vá, você sabe as mazelas do meu trabalho, chego tarde em casa – Maria odiava estes tipos de festas, não que curta apenas ficar em casa a ver filmes e cuidar do resto da casa, ao contrário, adora uma festa de boate, os flertes, gostava era de ser o centro das atenções, acontece que nas festas da editora ficava o marido a dar chamegos para as outras, não por culpa do Renato, afinal estamos no século da mulher, surgem as empresárias a fim de investir nas relações trabalhistas, grandes investimentos, e para uma empresária solteira conseguir um pouco de sexo, só alguém do mesmo nível, a não espantar os homens, preferia então ficar em casa e pagar na mesma moeda. Apesar do cansaço o sono não chegara, a mente estava leve, sem remorsos ou vestígios destes, os braços pesavam junto com as pernas, resolveu então tomar um banho, tirar as viscosidades junto com o odor do sexo, além de renovar as energias para dormir mais aconchegada, podia chegar Renato a qualquer instantes. A casa era grande, situada no Horto, não diferente era o quarto, grande, cheio de móveis espalhado por todo cômodo, era uma suíte, o escuro ambiente que se encontrava Maria foi de imediato substituído pelas luzes acendendo pela casa, a escuridão sempre assusta uma mulher que se encontra sozinha em casa, pelo menos esta, as estórias de violência sempre rondando os jornais televisivos e a própria casa onde vive por ser casa com um editor chefe de um jornal, deixa sua consciência um pouco transtornada, esta sozinha, a casa é de luxo, claro que existem seguranças à rua, logo não será por isto que a tranqüilidade exorbitara de imediato, sempre se é recomendável à espera do inevitável. Sendo assim, antes de ir tomar banho liga em seu quarto a televisão, deixando passar algum filme em um canal por assinatura, deixando sem som, acha gostoso as imagens ficar passando ao esmo enquanto ao lado da cama o som chora em palavras música de amarguras, trazendo uma nódoa de esperança no fio laminado da solidão que se formou nos sonhos de Maria, “Brilhou na noite escura, Uma estrela de amargura, Que manchou as águas do meu coração, E o amor de quem procura, Uma fonte de água pura Se banhou no vinho da ilusão, Água que vira vinho só traz loucura, E uma estrela partida é separação, Quebrada a jura, O amor não dura, E amor nenhum quer pedir perdão”. Por de fora da casa o ambiente aparenta ser tranqüilo, ao menos neste bairro e nesta rua, não se sabe por que, todavia podemos trazer fortes argumentos para justificar os banhos demorados das mulheres e homens, apenas repararmos motivos, nas premissas formuladas em torno da questão, a mulher adora uns banhos demorados, a água escorrendo ao corpo lentamente, lembrando o toque gracejo do amante, o sabão que escorrega á pele lambendo as auguras da cidade, porém sem esquecer às vezes o aliviar da falta de um corpo próximo ao seu, apaziguando a carne que necessita de calor, a mulher faz amor enquanto toma banho, já o homem fica pendente de acordo com o tempo de sua ejaculação durante o lavar de seu corpo, ou seja, depende da punheta de cada um, diante de tais fatos está Maria, não precisa aliviar a falta de calor ao seu corpo, acabara de amar freneticamente por horas a fio, sem pausa, está até cansada de amar, mas como toda mulher leva um tempo ao banho, deixa a água morna escorrer ao redor do corpo cansado, relaxada enfim, deita-se na banheira e fecha os olhos para sonhar nas probabilidades de amanhã e do amanhã, tinha marcado um outro encontro semana passada, com uma paixão antiga e, sabendo que de paixões antigas mulheres deixam estas paixões como novas, ficou ali a lembrar, Maria gosta de lembrar aquilo, ou aqueles, que lhe proporcionam memórias felizes, não só ela como todos – Alou minha Gostosa – Oi Menino, você ligou mais cedo – Não agüentei ficar esperando até a noite, estava ficando cada vez mais apreensivo, não agüento mais de tesão – Menino, quando você fala eu já fico toda excitada – Eu sei do que você gosta minha Gostosa, eu to louco pra você gozar na minha boca, o corno não está em casa não, né? – lógico que não, você acha que eu ia falar com você assim com ele aqui? Ele saiu, foi para editora, parece que houve outra rebelião em um presídio qualquer e ele tinha que coordenar todo o jornal – E ainda tem uma Gostosa que nem você em casa, que desperdício de mulher – Mas o que aconteceu que você ligou esta hora, não poderás vir amanhã? – Ô minha Gostosinha, minha mulher quer que eu cuide das crianças pra ela, o banco fez ela viajar a negócios, sabes que ela cuida das contas de algumas empresas internacionais – E ainda tem um gostoso que nem você em casa, que desperdício. Mas não fica ainda melhor gatinho? - Seria se ela não mandasse o irmão de dezenove anos ficar lá em casa um dia também, só vou poder na semana que vem, lá para sexta feira – Ai, seu escroto, não tem sentimentos – Calma Gostosa, é uma semaninha só, não custa nada, o tempo voa e a gente não vai nem ver – Eu já estou esperando duas semanas – Uma não vai fazer diferença – Está vendo como você é? – As mulheres têm destas armas eficazes de encostar os homens à parede quando se trata de um diálogo amoroso, de tempo em que não se vêem, de como a saudade aperta o coração e nos deixa o tempo mais longo do que realmente é, claro que conta para todos quando realmente se está apaixonado, com o tempo acabam por esquecer, tanto os homens como as mulheres, as mulheres levam mais tempo ou fazem a enganar os homens - Com eu sou? – Um falso, canalha – Você sabe que eu te amo, mas eu tenho minhas obrigações de pai, foi isto mesmo que te conquistou, mesma me disse – É... – Esta última afirmação soou como um resmungo resignado, afinal não queria ser mãe puramente por causa de seu marido, um homem cruel, de poucas condutas honrosas na vida, não seria um bom pai, e Maria por conta disto, acabaria por se tornar uma péssima mãe, o ambiente não se tornaria propício, levando isto em conta decidiu nunca parir, pelo menos com este homem em que vive a tantos anos, certo que é um casamento de aparências, por culpa de ambos, nem mais de um nem mais de outro, calaram-se em seus erros e assim ficaram, mudos como a maioria dos casais infeliz, certo é também que não tinha emprego, tornara-se uma das madames do mundo moderno, tem a possibilidade de correr atrás do próprio sustento, contudo resolvera ficar gostosa em casa consumindo do bom e do melhor, viagens a mil, só gastando o que arduamente Renato adquiria, e no meio de tantos pensamentos e levantamentos de ponderações e raciocínios, num certo tempo passado em um caminhar na lagoa reencontrou este homem com quem falava agora em seus sonhos, este homem estava com os filhos passeando feliz, se divertindo como nunca se vira antes, mostrava-se um excelente pai, alegre, o sorriso pairava junto com os pássaros do céu colorindo o dia daquele ou aquela que presenciava tal cena, Maria era uma daquelas. De súbito o coração veio a boca e a vontade maternal ficou latente, ninguém pode explicar o oceano profundo do coração feminino e suas vontades, principalmente quando se explode tal sentimento, de certo é a boca do senso comum dizendo, a vontade pode ser a faculdade de representar mentalmente um ato que pode ou não ser praticado em obediência a um impulso ou motivos ditados pela razão, no caso de instintos maternais não há impulsos racionais nem motivos de obediência que explique tais vontades, surgem, abruptam sem o menor aviso, e foi assim que ocorreu com Maria, ao ver aquela figura de longa data conhecida, podia não conhecê-lo mais, em tamanha alegria sentiu-se prisioneira de tais sentimentos maternos e conseqüentemente daquele homem – Maria, é você? – Eduardo? – Menina há quanto tempo, desde os tempos da faculdade a gente não se encontra – Apesar de estar perdidamente reenvolto em sentimentos antigos que tentara esquecer ao longo dos anos, sendo estes despertados pelos filhos de Eduardo, junto o próprio Eduardo, a mais profunda paixão, a súbita é mais profunda, tenta disfarçar em um breve e leve sorriso, enquanto que Eduardo manda seus filhos brincarem no parque ali perto, aonde ele poderia ficar olhando um pouco de longe sem dar muito na vista destes, que ao chegarem em casa fatalmente comentara com a mãe – Hoje o papai encontrou uma amiga no parque – Fazendo as crianças brincarem no parque, estas mesmas poderão concluir – Foi enquanto a gente ia brincar no parque, depois ela nem tava mais lá – Eduardo também gostara do que viu, foi sua grande paixão, na verdade tesão, Maria tinha o corpo moldado por Deuses, não apenas um Deus, por isto tais pensamentos – Você continua linda heim Maria, o tempo parece que não passa, estou impressionado – Eduardo, o mesmo aconteceu contigo, seus filhos são uma gracinha, - O casal de Eduardo já estava um pouco distante dali, brincando perdidas em brincadeiras no parque junto com outras crianças, os pensamentos de Eduardo acabaram por concretizarem-se – qual a idade deles? – Estas pestinhas estão com sete e nove anos – Ai, que faze complicada – Todas as fazes são complicadas, quando você acha que eles estão crescendo e vai melhorar, tudo fica pior. O que acontece é que você acaba por habituar-se a idade, prevê alguns raciocínios da criança, às vezes erramos claro, então temos que tentar contornar a situação melhor possível para que não haja aquela revolução lacrimal, muitas vezes – Com aqueles sentimentos a flor da pele de Maria, à vontade de ser mãe latejando ao peito, o tesão reacendido por Eduardo, foi se deixando levar pela conversa, estava entusiasmada com aquela vontade nova que lhe arrebata o peito, da vida conjugal perfeita, pelo menos aparentemente, de ter filhos e passear pelo parque, ouvir choros diurnos e noturnos para acordar feliz e ninar os filhos que pedem socorro à mãe diante da fome avassaladora, de uma criança, que nunca cessa. Surge o, porém. Estava casada há alguns anos, ponderou errado o passado, pensou com o bolso, aquele homem com quem casara era um monstro para ela, claro que ao ver das pessoas era um homem como qualquer outro, tinha motivos para seu egoísmo, desde novo era sonhador, daqueles que passam por cima de todos, defronte as podridões que viu no mundo resolveu não lutar contra elas, juntou-se abandonando certos princípios e condutas, sumira a piedade, autocrítica, não o amor, o amor foi apenas esquecido assim como Maria esqueceu, estão ambos perdidos no mesmo labirinto de egoísmos e por fim não se encontraram. O poder muda muito um homem, Renato apenas se deixou levar pelo poder e suas mazelas, as cobranças são uma delas, pois quando se trata de poder, ande de costas olhando para trás, cuidado com os tiros que vem de todos os lados. Deitada ali, não conseguiu evitar, estava agora a pensar em seu casamento, havia acabado, entretanto o que fazer, não podia ir simplesmente ir embora, estava covarde, queria ser mãe de um homem já comprometido, tinha uma vida desregrada, o sexo tornara-se fuga não paixão, apesar de estar vivenciando novos sentimentos brotados com reencontro com Eduardo, não ficou apenas com este amante, decidiu curtir a solteirice em que se via apesar de estar devidamente casada. Estes últimos pensamentos, a respeito de Eduardo fizeram-na voltar, que nem redemoinho, ao dia em que se reapaixonou pelo pai de seus filhos que nunca tivera – nos perdemos em nossos atos, e acabamos por explodir sem razão, esquecemos o fato de serem crianças e a tratamos como adultos, não só por ai, chegamos em casa estressado, com trabalhos a sair pelos ouvidos e acabamos, novamente, a descontar nas crianças, aí é que devemos tomar mais cuidados, temos é que dar muito amor, ouvir e dar atenção quando não se quer ouvir mais, fingir que ouve, precisava ver o inferno que foi no tempo que elas queriam um cachorro – O que aconteceu? – Eu tinha saído com elas, ido ali no Leblon levá-las ao médico, tinha estacionado o carro meio longe, pra andar um pouco com elas, de repente uma loja de animais, fudeu, foi àquela algazarra, compra o cachorro, que lindinho – Já imagino – Eu acabei comprando o cachorro, mas antes dei opções, para não mimá-las muito, ou o cachorro, ou o computador novo que elas queriam de ultima geração, cheio de joguinhos. Acabaram preferindo o cachorro – Sério? – Também estranhei, mas sabe, crianças também têm que ter opções, para quando crescidas aprenderem a andar, escolher sozinhas, saber que tudo não dá, não passar por cima dos outros, contentar-se com que tem, não deslumbrá-las com o dinheiro excessivo que a mãe ganha, sabe que eu sou um reles designer... – Eduardo, parece-me que você virou um excelente pai – Eu fiquei totalmente bestificado quando eles nasceram, foi lindo. Maria, e você, não tem filhos? – Ainda não, - Sabia que era mentira, mesmo assim continuou a enganar-se, não apenas a si, diante da situação teria, também, passar por estórias e ilusões seus sentimentos ao Eduardo. Olhando bem de perto, apenas deixou-se guiar pelos sentimentos que até o presente completavam o vazio de seu peito – acontece que eu e meu marido estamos tentando, contudo não obtivemos resultado, continuamos tentando, até já decoramos um quarto para o bebê, muito lindo, tem um berço... – Em seus devaneios, deitada na banheira, estas foram seus últimos pensamentos. Repentinamente, enquanto em suas memórias, iam e vinham em sonhos do passado, duas fortes mãos em silêncio, invisível a quem sonha contente relembrando afortunados acontecimentos, quebrando o silêncio da música que ainda tocava inevitavelmente ao som do quarto, estrangula sem piedade Maria que nada podia fazer, a não ser sacudir as pernas com total desespero, pavor, um terror cometido de lágrimas a escorrer misturando-se à água morna da banheira, as duas mãos de Maria tenta inutilmente, apertando as mãos de seu algoz, afastá-lo, o leito era insuportável, a mulher sacudia-se com todas as forças para livrar-se da água, sacudi-as também as mãos tremulas desta figura de horror que invadira a casa, afogava-a, com socos inúteis em desespero insano, arcava o corpo para cima tentando livrar-se também da banheira, mas tudo era inútil, as tentativas iam se esgotando, assim como o fôlego débil, as lágrimas já se perderam nas águas, e foi aí, no influxo da intervenção da maldade sádica deste indivíduo, antes mesmo do desmaio de Maria, ele a tira pelo pescoço da banheira, com as pernas a convolar entre o desespero e a exaustão, jogando-a com força bruta ao tapete do quarto. Caída quase sem sentidos, tossindo as lágrimas que engolira, inclina o pescoço olhando para a luz que cegara, e nas sombras da maldade reflete um sentimento que nem as palavras mais aterrorizantes descreveriam, o desespero a faz chorar de novo, desta vez em silêncio – Não me machuque, eu tenho dinheiro – As palavras soaram como vindas de uma muda, um soco cruel e sem aviso é desferido em sua boca, fazendo-a ceder em sangue jorrado ao chão, junto vai um dente, soluçando perante a tontura que a invadia, dentre a tumidez dos lábios, tenso, as pernas que antes agonizavam com extrema violência, buscavam rígida se mover, procurando levantar-se, logo a mão esquerda apoiava-se ao chão inclinando a cabeça para trás e a anca ao teto, quase de quatro, dando oportunidade ao seu carrasco desferir um chute de elevadas proporções em seu estômago, o vômito foi inevitável, para a infelicidade da Maria a escuridão não se fez por completo, ficou ali estirada, paralisada de terror e de marcas da violência abrupta. Estática no chão ficou a olhar o homem que adentrara sua casa, sabia que não era mulher apenas pelo tamanho, pois usava um capuz preto, estes de esquiar, a não ser que fosse uma destas mulheres de proporções absurdas, mas quando arriou as calças, ficando nu da cintura para baixo, deu-se bem para ver que era um homem, Maria não tinha forças, à vontade também a abandonara, ficou ali prostrada ao chão, não teve coragem nem de balbuciar resmungos, apenas limpava seu sangue com as lágrimas e ouvia atentamente – Fique de joelhos mulher, quero uma chupada – Não sabia o que fazer, resistir aos apelos sexuais deste homem seria inútil, para sua consciência física talvez, no entanto a alma ficaria intacta, lutar sempre fortalece o espírito humano, as forças são reagrupadas no corpo e num último apelo ela ainda reluta – Não – Mas não deu nem tempo do homem levantar o punho e Maria com uma dor, mais ao peito que a boca a sangrar, o abdômen em um grito agudo suplico e a garganta chorando os incógnitos lamentos postou-se na posição de joelhos e fechou os olhos, não queria ver, sentiu uma pesada nostalgia de pureza, a escolha é a maior delas, no tempo que corre escolheu por ferir sua alma, esquecendo-se que o físico sempre se cura, enquanto que a alma nunca se cicatriza, e será nos sonhos em pesadelos que ela virá a sangrar. Por mais aguda que fosse a dor, latente no peito, estressando em disritmia o coração, tentou em vão – NÃO – Tão logo foi preenchida a boca com o membro em riste, começou lentamente a chupar. Enquanto o nojo lhe subia a boca, o vômito veio inesperado e cobriu o chão com seu cheiro podre. O Homem a agarrou pelos cabelos e a jogou de bruços na cama. Realmente tinha uma bunda bonita, gostosa e bem feita. Sem perder a ereção o invasor dá uma cuspida no cu de Maria e mete com toda a força, o berro da mulher é compelido logo depois por um choro convulso, ao mesmo tempo em que a maldade lhe entupia o rabo com sua violência aguda. O estalo dos quadris nas nádegas era alto, cobria todo o quarto e dava pra se escutar da sala. Não poderíamos dizer ao certo o que se passava na cabeça de um ou de outro, apenas a certeza de que ambos sofriam ao seu modo, ambos prisioneiros de uma mesma dor em sentidos opostos. Não demorou muito pro sangue escorrer ao longo das pregas de Maria, o que excitou mais o agressor, suas estocadas passaram a ser mais fortes e mais contínua. O gozo é inevitável ao homem, enquanto confusa e semi acordada, Maria rola na cama ainda tentando fugir. O invasor sobe na cama e chuta-lhe o estômago. Maria cai do leito e quebra o braço esquerdo, com um gemido seco, quase mudo, ela ainda tenta gritar, e tão logo é desacordada com um chute na face.

segunda-feira, abril 30, 2007

Passos Febris Em Mar Bravio.


Distância de Nós Dois

A poesia me cospe a boca


Nos sentidos que me escarra a cara


as palavras trôpegas em lábios tortos fogem diante ao medo de pronunciá-las


Em movimentos tórridos de uma emoção aparente


ficando-se em versos de saudades e comoções vivas


escaldando em belezas desconhecidas de tudo e todos que habitam em nosso peito


desnudo pelo medo do cotidiano


e do pavor do dia a dia


entretanto


sempre se salva ao peito os versos mais nobres


dos poetas mais pobres


que enriquecem os espíritos dos desesperados


que não compreendem a metade de um décimo do que pulsa ao peito


e a língua úmida que deseja se calar


junto ao urro torpe e demência


afaga-se cega em vultos virtuais


criações monstruosas do próprio medo humanodo abandono e a solidão


e esta mulher de coxas lindas


de pernas lisas ao olhar


e de lábios afiados de um sorriso vivo


passa a paz que qualquer homem poderia sonhar


Mesmo sem nunca ter lhe visto


Já sinto saudades em acarinhar


todo este corpo........................................Lobato Dumond.



Tempo de gritar

As fotos já amarelaram pelo tempo ao longo da parede


Um inimigo ilusionista se torna o tempo


Muitos vão dizer que ele mata


E não muta


Que ele envelhece


Mas ele rejuvenesce os ideais


Vão afirmar com toda convicção


Arrasta a vontade e tudo pela frente


Corrói sentimentos e faz escorrer pelas mãos a areia da vida


Dirão ainda mais


Que a tristeza é a principal arma do decorrer do andamento


Não podemos corroborar com estas idéias profanas sobre o tempo


Pois só ele solidificaSerá então o principal responsável pelo amadurecimento


Pela superação e por toda magnificência da vida


Do fausto e do belo da convivência com aqueles que amamos


A transformação vem graças ao nosso principal aliado


Toda mutabilidade da vida está presente no decorrer de suas ilusões


Acoplado a seu próprio significado


Tempo
O que são os anos se não nossa própria existência


A morte é só mais uma das faces da vida, dentre tantas outras


Assim como todos os sentimentos que cercam o louco


E suas oscilações entre eles


Da afobação a timidez


Do holocausto interno a mais tenra paz


Da genialidade a estupidez completa


Da razão e a falta desesperada dela


Onde esta dará ensejo àquela


E esta dor garrida que temos que passar dará asas as nossas maiores alegrias


Adornado pelos nossos maiores feitos


naquele pulo de um penhasco sustentado pela corda


O vôo livre de um avião


Aquela conquista inesperada profissional


A paz de uma morte sofrida pela doença


O reencontro de um beijo já esquecido pela lágrima


Agora as fotos não mais amarelarão


Viverão em memórias


E a cada dia que se passa


Posso com júbilo fortalecer


Em cada sílaba


E em todas verdades


Eu te amo em silêncio


Por que se urrar ao mundo o que sinto por você


Morro


Pelo tempo que terei que gritar........................................Lobato Dumond.




O gosto de um rosto

Alguém a viu por ai?


Não agüento mais adoecer neste torpor


Por favor


Alguém a viu


Vivo a angústia de uma inevitável dor


Por favor


A madrugada invade minhas veias


Refletindo em meus olhos o espelho


E sinto as conspirações em teias


Da inquieta mente que atormenta a dor


Por favorAlguém a viu?


Não agüento mais adoecer neste torpor


Por favorAlguém a viu


Vivo a angústia de uma inevitável dor


Por favor


Lembro-me de quando você partiu


Pela porta afora


Partindo também meu seio


Confinando meus dias ao lamento de uma perda


E mesmo que todo o anseio


Que a terra há de esmagar


Eu realizo o impossível de ainda lhe ver


Ante a interminável madrugada


Meus olhos selam-se


Úmidos pelas lágrimas do seu beijo


E a compulsão me leva às ruas


E todas as mulheres agora têm


o seu gosto


Ou seu rosto
E eu choro, choro


Seguro minhas mãos trêmulas


Alguém a viu por ai?


Não agüento mais adoecer neste torpor


Por favor


Alguém a viu


Vivo a angústia de uma inevitável dor


Por favorA imaginação faz de tudo


Cria mundos


Interpreta seus jeitos


Olho com seus olhos mas não chego a ela


A multidão se forma viciada


Na amoralidade de não se amar


A paixão é fútil


Igualmente o mundo espetacular


E fantasioso


Quimera inútil


Alguém a viu?


Não agüento mais adoecer neste torpor


Por favor


Alguém a viu


Vivo a angústia de uma inevitável dor


Por favor


Por favor... Por amor a Deus........................................Lobato Dumond.



Heroína

O caminho nem sempre é certo quanto parece


basta saber não só aquilo que gostamos


mas também todas as coisas que nos busca, procura ou tortura pela falta


não satisfaz a vã filosofias


e a poesia é escarrada em provérbios


de pecados e alegrias perdidas nos lábios


de uma tristeza sem sentido


tão quanto sem significado


A força reside de todos os dias nos redescobrirmos


como humano


como espírito e como alma


para sempre continuarmos em nossos caminhos


em nossos poços de esperanças que teimam em não se secarem.
Cingidos por amores perdidos e ganhos ao longo da estrada


tortuosa imaginação perdida em sussurros silenciosos que nos dizem tudo


e mesmo assim esperamos sempre mais


mais daqueles que nos cercam


e mais daqueles que nos habitam em todas as formas variadas de sentimentos


enquanto meus frágeis dedos se esforçam a continuar a apontar um caminho


sigo cego


meus passos febris


nestes devaneios aumentamos a perspectiva de nosso universo


e as mãos que se fecham em punhos cerrados


são estendidas em versos em outra face


e algumas até camufladas em luvas de hipocrisia


outros, porém


matem-se irredutíveis e inabaláveis


nem as maiores intempestivas tempestades


farão descer de sua inabalável postura heróica


e nisto consiste toda minha paixão


por que te afirmo


que mesmo que me abandone


eu jamais lhe abandonarei.........................Lobato Dumond.





Espaço de um todo

O ciclo de luzes Espalhado em pontos no universo


Traduz nossas impróprias aspirações


Tão distantes


Jogado ao infinito azul escuro beirando ao negro


Untando emoções intensas


Quase insanas


Que movem o essencial do ser


O equilíbrio de si


Em si


O conjunto em movimentos voraz


Intragável pela sua própria essência


Dança pelo espaço em sua própria harmonia


E progressivamente vem crescendo


Evoluindo em aquarelas de encanto


nos quadros de gênios incompreendidos


E em ritos de uma religião esquecida pela história


Junto ao grito que se faz mudo


Opaco em sua própria surdez


Dilacera espíritos em pedaços cânticos de músicas


Tentando simplificar meu coração


Horas vazio pela dor
Seu âmago ferido pelo passado


Que se faz lembrar no presente instável e incerto


E tempos findos em outros


Transbordando sangue de tanto que lhe batem


E de todo este movimento


IninterruptoVoraz e fugaz


Fica preciso a pausa momentânea


Porém violenta


Fazendo a inércia existir no corpo


Acrescentando nesses segundos aglomerados um passado


regado a um amor incondicional


E parado olhando em meus poros de alegria


Vejo desenvolver você dentro de minha alma


Sua imagem sempre nítida


presente a minha pessoa


Como tudo aquilo que é parte de um todo


O todo também se finca à parte que lhe concluí


E assim se completa minha paz


junto ao calvário


Sem a sua presença sinto que me falta uma parte do meu todo


E justo minha melhor parte


Te amo...............................................................Lobato Dumond.



FlaFla

O glamour de uma noite de futebol


o fervor da torcida


Emanando dos poros de paixões inexplicáveis


O sangue rubro que arde aos olhos negros


jubilo de uma incessante em uma dor agonizante


um amor resguardada pela lágrima da derrota


Amparada pela mesma lágrima da vitória


As vozes ensurdecedoras


aturdindo os sentidos sem sentido algum


o urro de combate nas arquibancadas


sufocado pelo tremular de bandeiras


O sangue rubro que arde aos olhos negros


que no choro é moradia do alívio


o coração que rega o corpo


em um rufar rítmico e frenético


deixando seco o oceano de pensamentos


no momento em q o gol se perpetua


nasce em dois segundos de silêncio e expectativa


o uivo torrencial de um exército


unidos por alguns segundos em um mesmo comum


GOOOOOOOOOOOOOOOOOOOL!!!!......................................Lobato Dumond.


O sangue rubro que arde aos olhos negros.


Palafitas Torrenciais.

Às vezes à vontade de viver


mistura-se à pretensão de estar morto.


Caducando sobre os pés da insanidade


corremos estimulados pelas drogas,


as legais empurradas pela realidade,


e diante das sombras,


todas ilegais


injetamos em nossas veias


em doses homeopáticas de esperança,


aumentando nossos pecados


um refúgio de nossa realidade mesquinha.


A janela iluminada pelo sol


escalda imaculada os desejos obscuros.


Esperamos a salvação divina,


ou a de um herói perdido em seu próprio sonho.


Inundados pelo prazer efêmero


tentamos esconder a lágrimaque tão facilmente escorre pela tez


haurindo em goles largos amargos


as favelas de nossa própria existência.




Bate Mas Não Sente.

O tempo nos engole a todos


todos os dias


vivemos esbarrando na relva do desespero


aparadas pelo amparar de ombro


muitas vezes desconhecido


uma estranha


uma possível puta


as lembranças são inevitáveis


e esquecer tão mais, se não muito mais eficaz


fugaz é o amor


as labaredas do sexo resvalam no momento


um estranho, um possível jogo


a inevitável dor é o próprio tempo


a própria lembrança


ordenada junto ao esquecimento


é o estranho


é a puta


é o desespero de um coração frio...........................Lobato Dumond






Navio de Papel.


Nem sempre vejo aquilo que me envolve


Das profanas e sórdidas emoções


Consigo sentir todo o pouco que aflige


Deixo-me levar em insignificantes pensamentos


Que atormentam grandes poetas


Que enlouquecem os maiores gênios


Não sei as respostas de nada


Só sei as perguntas de um tudo


O amor vive longe e na lembrança


Esperava ver melhor,


Sentir muito mais


Todavia me perdi em um mar bravio


As auguras em ondas torrenciais


Derrubam meu frágil navio de papel


Choro amarguradamente em um desespero


Para esmorecer meu sorriso


E na mesma intensidade gargalhar para as mazelas da incerteza


Amo sem ser amado


Sou amado sem amar


O sexo às vezes tem o gosto de ausência


Tento esquecer para poder me dar


Os escarcéus vagos em minha mente


Sempre ecoam em profunda melancolia


Refugio-me em minhas lembranças


Fazendo uma guerra de precariedade insegurança


Assim nado para o fundo,


Bem fundo


De onde não poderão me resgatar


Tampouco me verão pequeno em meus sonhos


Cobiço a solidão em minhas vozes


Anseio ouvir apenas aquilo que eu possa me dizer


Para quando eu puder voltar


E se um dia meu domínio regressar


Olhar bem em seus semblantes


Na essência de sua retina


E lhe brindar com toda a segurança


Que você busca um dia encontrar em si mesmo.Lobato Dumond.






sexta-feira, março 02, 2007

Visionários.


Quem sabe no futuro sao os visionários de causas mortas no presente, mas na medida em que o tempo se transforma, e o presente morre em passado, e o futuro molda o presente, os visionários perdidos em suas causas mortas daquela época,tornam-se gênios inquestionáveis. Nunca oprima aqueles que vivem de idéias, pois serão estes paradigmas que ditarão as transformações de uma vida, sendo que, tudo que vira idéia é moldura de um sentimento mais sublime. Então, liberte-se de seus medos e siga em frente em seus sonhos, sejam eles pornográficos ou não, pois até os loucos tem sua razão de ser. Viva, viva, viva! E quando chegar a hora de morrer, não se esqueça de que viveu! Esmague todos aqueles que dirão que você não é capaz. Pergunte-se se você realmente precisa de tudo isso que lhe empurram em gritos altos, em imagens torpes, em toques vendidos. Prepare-se!

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Candeia


Os passos harmônicos com a música soavam descompassados e ausentes de timidez. Uma das mãos tremia na altura do quadril, a segunda mão igualmente tremia ao ar na frente da testa, com os cotovelos dobrados e remexendo no ritmo da música. Seus olhos fixavam-se no quadril gostoso de sua parceira. Moveu-se até colar deliciosamente seu corpo no dela, segurando-a firme em suas costas, todo movimento era de instinto, não havia premeditação, a música é que ditaria o próximo passo. Ela sorria apenas em seus olhos, apesar da boca séria. A sensualidade exalava-se pelos poros de toques firmes. Um perfumado som Caribenho expandia a fronteira do inexplicável sentimento de exultação a vida. O músculo ardia em êxtase no excesso de exercício, só a dança apagaria o fogo causado pela chama da música. O salão estava lotado de pessoas e alegria. As bocas arreganhavam-se em sorrisos e escarros de escárnios da tristeza. Nada seguraria estes pés acrobatas e intrépido diante as incertezas da próxima nota musical. A voz melodiosa sempre atenta à harmonia com os instrumentos, num salpique se cala, assim como todo o resto da banda, apenas o trompete agora soava em um solo magnífico. Junto a este momento surpreendente, os pés também se ouviam ao turbilhão de passos conexos entre si. O Homem segura firme em uma das mãos da Mulher e a gira várias vezes, sem largar a mão, segura na altura da cabeça, dando pequenos passos no ritmo da música. Ele a larga subitamente, enquanto ela, segurando a saia, se afasta em passos e compassos adornando em círculos seu homem. De longe um jovem inexperiente afugentava sua melancolia, causada pela timidez e sua inabilidade ingênua com os pés. Via-se sozinho e sem perspectivas dentro do baile. Apenas batia o pé no chão contando o tempo e cantando a melodia. Apreciava as mulheres com suas coxas a mostras em seus giros e rodopios. As cinturas coladas com os dorsos retorcidos faziam uma linda moldura ao ambiente, e este Jovem em seu terno branco, de calça de linho folgada, um chapéu pendente na cabeça, apesar da sua falta com a dança, pelo menos no quesito moda, estava impecável, sobretudo para o ambiente. O Jovem não se continha em seu canto, seu coração palpitava no mesmo timbre da música, a voz que cantava apaixonadamente, fazendo cínicos em artistas, políticos em poetas e jovens homens comuns desajeitados em dançarinos como este que já, não se contendo, arriscava sozinho uns passos à margem da roda de dança. Sua dança era curta, testava sua capacidade de sentir a canção, ouvi-la com a intensidade que era tocada pelos músicos e interpretar com seu corpo a resposta de tais sons. Ao canto do turbilhão de dançarinos, estava uma irrequieta moça, cabisbaixa pelo simples fato da falta de par. Os olhos buscavam diante os homens mais tímidos alguma resposta ao seu sorriso inquieto. Caminhava vagarosamente em direção a pista, exibindo um lindo par de pernas em puro ardor, deixando ainda mais bonito o seu rebolado em cada passo com seu salto alto. Até que o jovem a vê, e vencendo sua timidez ao meio o transtorno causado pela sua dúvida, toca de leve na mão da irrequieta moça. O sorriso inquieto pendente em seu rosto, tornou-se resposta em um arreganhado riso. Durante a dança as carícias eram feitas pelas coxas, roçavam incansavelmente em um pendulo de lá para cá, e em questões de segundos, nada mais existia naquele show de dança. Apesar dos passos tímidos do jovem, a irrequieta moça, fazia de cada tropeção dele, um caminhar dentro do conjunto da dança. Isto o deixava cada vez mais nervoso e acanhado. Mesmo diante destes sentimentos de retração, sua natureza masculina falava mais forte, ou tão forte quanto sua própria timidez, deixando-se levar neste impulso. A mão deste jovem começou a caminhar pelas costas de sua parceira, em contrapartida a mulher se colou ainda mais junto ao quadril dele. O quente já fervia em gotículas de suor, transcorrendo pela abertura do vestido, deixando em evidência o perfume irresistível que exalava da graciosidade de sua presença. Não se contendo em suas fantasias, o jovem escorrega de manso sua mão até a bunda da irrequieta moça, apertando com vontade, enquanto lhe lasca um beijo no pescoço. De súbito ela o repele empurrando com as duas mãos no seu peito e o esbofeteia com vontade. A música acaba justamente neste minuto do tapa, e no mesmo segundo, o salão está perplexo com a cena, todos se direcionavam para os dois e agora eram espectadores de outro show. O ardido do tapa desperta um fervor nos sentidos do jovem, e mesmo sem a razão, e agora também sem remorso, devolve o tapa com maior intensidade e em um sorriso cínico. A mulher coloca a mão no rosto e ameaça a chorar, só que no primeiro soluço, a lágrima é contida pela boca do Jovem que a invade com sua língua. Desta vez ela não reage, apenas deixa-se levar naquilo que a dominava. Só que desta vez, o jovem não toca de leve na mão da irrequieta moça, ele a segura firme, e decidido dentro de seus desejos, sai arrastando-a abrindo caminho ao turbilhão que já voltava a dançar os ignorando.

segunda-feira, janeiro 08, 2007

O Homem Que Sabia DeMais.


No texto existe a instrução para se ligar o som ao ler. Escolha duas músicas, eletrônicas de preferência, , mas não necessariamente, e quando aparecer no texto, “ligue a música”, é para tocar a música em seu som e continuar a leitura. Se a música acabar, e o texto não, ponha para tocar a segunda. O texto dirá quando desligar o som.


Meu ferimento, na maçã da face, ardia dentro do esparadrapo quando chegava na praia. O sol escaldante derretia meus sonhos mais gelados, e assim enfiava com vontade meus pés na areia. Perto da água não estava tão quente. Fiquei ali à pequena distância, observando a moda circular, junto aos estilos dominantes da prosperidade. A maioria assumia uma tatuagem em seu corpo, corpos malhados e talhados a ferro transitavam por perto, mulheres lindas tão quanto suculentas e homens atléticos em sua maioria faziam o ambiente florescer. Realmente o calor estava gostoso. A pele sorvia os raios solares com um enorme prazer, realmente parecia conter álcool em seus raios. Em contrapartida, os olhos suplicavam um esmorecimento de tanta luz. Tirei os óculos escuros de sua caixa, onde os guardava junto ao baseado da tarde, um lugar estratégico perfeito para qualquer dura. No que o coloquei um novo mundo se abriu, não precisava forçar tanto o cenho para enxergar tudo a minha volta. O frescor untado à maresia vindo do mar relaxava meu espírito, o odor da maré é um dos maiores fenômenos da natureza, isso me chamou a atenção e minhas idéias do momento; doce Iemanjá que me sussurra aos ouvidos. Tamanho cântico serenidade. Decidi dar uns passos à frente e sentir a água em meus pés. O que suspeitava; a temperatura estava perfeita, o mergulho seria a lavagem de todo o mal. Entretanto não havia tirado a bermuda ainda. Ao olhar para o lado tive uma excelente visão, a orla repleta de pessoas cultivando o futebol, até onde a vista se perdia ao meio os banhistas, podíamos ver as pequenas bolas levantadas, em ritmos diversos e incontáveis numa harmonia crepuscular. A Altinha invadiu pra ficar na praia. Comecei a andar ao meio daquilo tudo, onde aos berros passavam pessoas gritando todo o tipo de mercadoria, bem, quase todos:
- Olha o mate, quem vai no mate? E biscoito, ó o grobo!– Passava agitado um vendedor, de pernas e braços finos, a pele bem negra e os olhos profundos, marcados pela labuta, sem deixar, entretanto, o sorriso de lado.
- Mate ou limão? – Este carregava uns tonéis de lata, pendurados ao ombro, um contendo mate, outro limão. Coisa antiga. Alguns argentinos caminhavam por ali com seu toldo de amostras de miçangas artesanais; brincos em suas diversas cores, pulseiras adornadas por diferentes formas, além de vários outros produtos feitos por penas e matéria prima da mesma espécie. Logo a frente, um homem carregando uma cesta na cabeça, cheia de abacaxis, segurando uma faca em uma das mãos, grita inesperadamente no ouvido de uma das banhistas. Esta nervosa com o susto, dá um salto de repique e reclama mandando ele se foder em alguns outros palavrões. Pego meu Ipod no bolso da bermuda, coloco os fones de ouvido e ligo meu portal particular (ligue a música). Começo a ouvir uma música eletrônica bem gostosa, com uma batida em um swing de timbre empolgante. Parecia que havia começado a viver o clipe da minha vida. As pessoas se mexiam no mesmo matiz da música. Continuo olhando para os lados e contemplando a cena das bolas levantadas das altinhas na beira do mar. Estava hipnótico aquilo. Havia cinco pessoas jogando ao meu lado; lógico que reparei logo na Gostosa que dava mais ânimo ao grupo, tinha o desenho de uma fadinha perto da bunda, e além dela estava, um Cabeludo de bermuda verde, um Bombado de cordão de prata com uma tatuagem de Rottweiler no braço esquerdo, um Mulato de sunga branca e um outro Cara igualmente tatuado. Estavam no meio de uma seqüência de levantada da bola, o Cabeludo cabeceia a bola com o corpo meio tronxo, a bola estava baixa de mais pra ele, e este não teve reflexo suficiente para tentar matar no peito, ou até mesmo arriscar o ombro, contudo mesmo sem muito equilíbrio a bola foi redonda para a Gostosa, que meio sem jeito conseguiu alcançá-la com o joelho e rebatê-la para o Bombado, este amansa a criança com um leve toque com o pé esquerdo e levanta com o direito pro Mulato, só que ela vai meio sem graça, sendo que o Mulato tem que correr, mas consegue alcançar. Estica a perna esquerda com dificuldade, ameaçando cair, e a chuta para o alto no meio do circulo de pessoas que jogavam. Dois vão de encontro à bola; a Gostosa e o Cara igualmente tatuado. Este deixa a Gostosa rebater de joelho novamente para o Mulato, que exagera um pouco na força e chuta em cima de uma barraca na areia. A galera da barraca até reclama um pouco, mas entendem o ocorrido e nada fazem, entregam a bola pro Mulato que foi buscá-la e todos se cumprimentam sorrindo. Notei certos sorrisos um tanto quanto cínicos de algumas pessoas da barraca, alguns realmente ficaram nervosos, todavia não havia muito que se fazer. Cansei daquilo e decidi andar um pouco, estava no coqueirão e iria andar até o country, relaxar um pouco. Contemplava as pessoas em minha serenidade aparente; algumas conversavam gesticulando de maneira bem firme, com movimentos vivos, um cachorro corria enchendo alguns banhistas de areia e irritação, outros riam apenas de si mesmo, muitos transitavam entre as barracas de bebidas e suas barracas de sol. Um homem passa por mim correndo de suas gorduras, duas mulheres conversando ao ritmo do meu som, desfilam por mim com suas pernas esculturais. Não resisto e olho para trás quando elas passam, e os rabos eram mais gostosos ainda, puta que pariu, ainda enlouqueço. Segui o caminho e fui passando por outras altinhas ao longo do percurso, alguns lado a lado com jogadores de frescobol, estes rebatiam com violência e gemiam mudos, pelas batidas de minha música, como se jogassem tênis. Subitamente o doce perfume da erva me chamou a atenção, aquilo sim poderia dar o que precisava, para a minha mente, pro meu corpo e a minha alma. Algumas crianças perambulavam entre o raso da água e seus castelos de areia semi destruídos pelas ondas, arremessavam um nos outros suas pazinhas e baldes, e depois começaram uma terrível guerra de areia. Os pais vieram ao socorro de alguns banhistas que abriam espaço para os pestinhas. Um personagem de barba longa, cabelos maiores até a altura dos ombros, com o corpo repleto de tatuagem, só que sujas e mal feitas, um pouco peludo de mais, e a pele cheia de micose escura, se confundindo com as tattoos, vestindo uma cueca samba canção, passeava despreocupadamente pelos banhistas. O mais interessante é que poucos o notavam. Seu olhar era fixo em um ponto inexistente, só que o ponto para este homem era o infinito, não havia limites, sendo assim não se importava muito com os outros ao seu redor, pelo menos aparentemente, ou o que pensariam dele diante as merdas da vida. Cheguei em frente ao Caesar Park, o lugar onde gringos e turistas de todo o Brasil dividem um espaço bem diversificado. Todo este ambiente é preenchido por inúmeros guardas sol azul e umas espreguiçadeiras da mesma cor. Algumas putas disfarçadas de banhistas se infiltram no meio deste ambiente seduzindo os turistas sexuais. Claro que é difícil distingui-las, no entanto sabemos que elas estão lá. Uma mulata linda de olhos verdes, aparentando usar lentes de contato, sentada em uma espreguiçadeira forrada com sua canga de bandeira do Brasil, começa a me encarar, enquanto passo diante de meu clipe e sorri de maneira convidativa. Fiquei tentado pelo convite, parecia-me gostosa, coxas grossas e firmes, os seios com uma leve marquinha e uma cara de safada danada que era uma delícia. Fiquei um pouco encabulado, havia muitas pessoas em volta, e segui andando, subindo um pouco até a areia, atravessando por dentre umas barracas que ofereciam massagens. Ao lado desta barraca uma mulher negra, de pernas atrevidas e bunda grande, se exibia de maneira pornográfica a um grupo distinto de estrangeiros, uns cinco homens pálidos, ao mesmo tempo em que avermelhados pelo sol. A Mulher negra se mantinha de pé e pernas abertas na frente dos cinco homens, e regularmente abaixava o biquíni mostrando a boceta. Fiquei impressionado, não acreditei no que vi, assim no meio da praia. Mesmo assim não recriminei, apenas me surgiu uma curiosidade perante aquela boceta. Cada passo era uma nova descoberta dentro de minha própria cidade. Três meninas, supus serem adolescentes, dançavam funk de maneira bem erótica, rebolando até o chão e empinando bem os quadris. Certo momento uma das garotas, com as duas mãos tocando a areia e a bunda levantada, rebolava para quem quisesse olhar. Era um rabo bem gordo e com o biquíni bem encravado, dava para ver o início das pregas do cu. Parei perante uma barraca de turistas paulistas que decidiram ficar por perto do Cezar, era um casal e seus dois filhinhos de uns quatro e seis anos mais ou menos. Virei o pescoço e o dorso querendo uma visão ampla dos trezentos e sessenta graus ao meu redor. Muitas famílias, turistas nacionais e estrangeiros, além das putas dividiam o mesmo espaço com um grande comércio de serviços e produtos que circula pelo ambiente livremente. As meninas do funk continuavam com seu show erótico com os olhares alheios a contemplarem a dança, inclusive os meus. Talvez o erotismo e o pornográfico estivessem em meus sentidos e aquilo não fosse nada demais, ou até mesmo nos olhos de quem observa, pois ninguém dizia nada, ou comentava porra alguma, era como se isto fizesse parte de um cotidiano comum daquela atmosfera. Bem, pornográfico ou não eu gostava de ficar olhando. Um estreito sorriso me veio aos lábios no tempo de meus passos voltarem a fluir. Ao passar pelas meninas do funk uma delas me manda um beijinho, no qual retribuí com uma piscadela, o que a fez tremular os lábios. Achei aquilo tudo muito engraçado, estava realmente divertida a caminhada, é impressionante como podemos nos divertir sozinhos, apenas observando a loucura alheia e as inconformidades do mundo. Voltei para a orla onde as pessoas ainda cultivavam a altinha, impressionante como não tem fim esta porra. Dei uma conferida no esparadrapo em meu rosto para ver se estava tudo dentro dos conformes, se havia escorrido, soltado alguma gaze de proteção, mas tava na boa. Abruptamente uma bolinha de frescobol explode em meu ombro, me dando o maior susto, para cair logo depois aos meus pés. Uma mulher vestindo uma mini saia pede a bola caída, na qual a arremesso de volta. Infelizmente a bolinha passa pela mulher e tomba na água, mesmo assim ela agradece e vai atrás da bola. A companheira que jogava com ela também agradece feliz. Não entendi nada, mas fazer o que? Não há muito que se entender. À frente do meu caminho, atrás destas duas pseudo-atletas, estava um outro grupo de crianças brincando de montar castelos de areia, com um forte muro de areia. Acabei lembrando da época em que eu catava Tatuí e os guardava para um grande aquário imaginário, que nunca saiu da imaginação realmente:
- Põe mais areia ali Daniel. Paiê! Vai pegar mais areia seca. O muro tem que ficar mais forte, “meu pai é burro, não sabe fazer as coisas. Que saco isso. Há, mas deixa pra lá, tenho que conseguir deixar bem forte este forte. Vou botar mais areia aqui”.
- Felipe seu animal, você vai estragar tudo se colocar areia aí. Não está seco ainda e vai derrubar tudo se botar mais areia molhada – Se levanta inesperadamente - “vou lá pegar a pazinha”.
- O Daniel, aonde você vai?
- Vou pegar uma pazinha!
- Traz um balde também com areia seca. Ajuda meu pai a carregar! – O menino sai correndo e fala com um homem de meia idade que estava em uma roda de amigos, pega uma pazinha que estava a descansar na areia, volta e diz:
- Felipe! Ele disse que não vai trazer areia nenhuma e que já está de saco cheio. Vem buscar você. Eu não vou pegar nada, to com a mão doendo – E assim começa a bater nas paredes do forte de areia.
Aquelas lembranças que pairavam em minha mente poderiam ser a realidade daqueles meninos brincando, mas não podia ouvir nada do que eles diziam, eram apenas partes da minha realidade virtual, quase real, do clipe de minha vida. Aqueles pensamentos fizeram minhas conjecturas sobre o real e o virtual fluírem em um espelho de pedras e cascalhos, da nossa maldita realidade, ou virtualidade, ao longo de um caminho. Neste mesmo instante, nos passos leves que dava pela orla, deixando o mar acariciar meus pés com suas lambidas oscilantes, procurei no bolso de minha bermuda a caixinha de óculos com a maconha. Peguei-a, sentei na areia perto de uma barraca esverdeada com um pequeno grupo de jovens, e comecei a disbelotar com uma das mãos em forma de concha e olhando ao redor atentamente. É bem difícil de alguém rodar na praia, quase impossível, é como se em alguns pontos do Rio ninguém notasse, ou não quisessem notar, e ali era um deles. Continuei em minhas divagações acerca do virtual e o real, esfarelando minuciosamente a erva em minha concha, contemplando o horizonte do mar e meu semblante denunciava as expressões de meus pensamentos. Sentia-me distante da realidade que me cercava, parecia não fazer parte do caos que reinava, a torto e a direito, nas guerras particulares mundiais. Os sentimentos fanáticos, adornados pela intolerância e o ódio, cresciam ao meio uma guerra com tiros por todos os lados, e com mortos dilacerados cruelmente na mão da própria humanidade. Diante disso me perguntava se eu fazia parte disso, se isso era o mesmo mundo em que vivia. Parecia a virtualidade de um mundo doente ligado pela conexão real de uma rede. Talvez a virtualidade seja a única arma que temos para deflagrar este crescimento constante da realidade da guerra que consome os seres e os não seres. O que poderíamos fazer realmente? Nos armar até os dentes? Saddam Hussein havia sido enforcado de maneira desumana e cruel em nome de todas suas crueldades. Devemos instigar a morte contra a própria morte? A vingança combate à vingança, enquanto o ódio sangra em seu próprio ódio? Não demorou muito para a cena do enforcamento de Saddam cair na rede real do virtual. Muitos já viram seu pescoço tombado pro lado, sem vida, preso à corda. Será que realmente fazemos parte desta realidade? Talvez a virtualidade seja a única arma que temos para deflagrar este crescimento constante da realidade da guerra que consome os seres e os não seres. Esta afirmação veio de novo as minhas conjecturas e me pareceu errônea, pois apesar do acesso a informação e as visões barbarizadas gravadas em vídeos, é ínfimo o número de inconformismo, pelo menos da real interferência de uma união mundial. Outras cenas terríveis que vi na Internet me assombraram as lembranças e a razão. Lembrei de cenas de árabes degolando um refém, ainda vivo, e expondo sua cabeça para a câmera em forma de troféu. Dava pra se ouvir todo o terror do pobre homem, urrando aterrorizado, deixando o pânico latente em sua voz gutural, ao mesmo tempo em que terroristas lhe enfiavam a faca em sua goela. O sangue jorrava pelo chão do ladrilho, manchando qualquer imaginação, ou lembrança virtual, de um real banho de medo e rubro. Mas não é preciso viajar muito para vermos a guerra, basta dobrar uma esquina de nossa cidade. Os inúmeros atentados às delegacias de policia e postos policiais no Rio de Janeiro é uma nesga de guerra civil que se estende já por muito tempo, não...Uma mão me cutuca o ombro, justamente quando já ia passando a goma e selando o baseado para o seu destino na mente. Preparei-me para engolir toda aquela merda, à medida que meu coração já acelerava suas palpitações. É quase impossível alguém rodar na praia, entretanto convenhamos; tudo é possível. Com um certo receio escondo o baseado, de forma inútil e às pressas, com uma das mãos no bolso, entretanto não o larguei dentro da bermuda. Foi uma bela bandeira. Torço para trás o meu dorso na intenção de descobrir quem era, enquanto a mão no bolso finge procurar algo de maneira cínica. Levei um certo susto quando constatei a pessoa que me chamara, não esperava este tipo de aproximação; duas vidas, dois caminhos distintos e duas realidades antagônicas interligadas apenas pela paisagem, talvez pela obscuridade de pensamentos que todos levamos, os mistérios de nossas perguntas e questões. Um personagem de barba longa, cabelos maiores até a altura dos ombros, com o corpo repleto de tatuagem, só que sujas e mal feitas, um pouco peludo de mais, e a pele cheia de micose escura, se confundindo com as tattoos, vestindo uma cueca samba canção, que passeara, agora pouco, despreocupadamente pelos banhistas. O mais interessante é que poucos o notaram aquele momento, e neste instante, parece que só eu o via. Seu olhar fixo em um ponto inexistente, se dirigia a minha pessoa. só que o ponto para este homem era o infinito, não havia limites, de tal modo parecia enxergar através da minha alma. Sua boca mexia em balbucios incompreensíveis, a música abafava tudo ao meu redor. Tirei o fone dos ouvidos e ocorre um grande impacto de sentidos (desligue a música). Com o fim da música começo a escutar todas as conversas possíveis ao meu redor, todas as palavras do universo soam ao meu ouvido de modo violenta e incompreensível; balbucios, murmúrios, berros, urros, sussurros, cicios, burburinhos inaudíveis, uma algazarra de palavras e vocábulos em versos de expressão. Fiquei perdido em tantas idéias. Olho fixamente para o personagem barbudo de minha frente, e sinto meus olhos tomarem a mesma feição que os dele. Observo igualmente sua fisionomia, como se enxergasse através de sua alma. Eu não ignorei sua presença, mas não respondi prontamente a sua aproximação. Retirei meu baseado do bolso, ao qual ainda estava na minha mão dentro da bermuda, e com a outra mão retirei um isqueiro do bolso lateral, e acendi o baseado inclinando um pouco o rosto para frente. Não queria queimar meu queixo. A fumaça densa logo se perdeu ao perfume da maresia, junto ao vento vindo do mar. Excelente lugar para um baseado. Logo a mesma fumaça se envolvia em minha mente em nódoas de lembranças de lufadas de imagens pelo horizonte magnífico. O personagem de barba a minha frente voltou a insistir:
- Poderia dar uma fumada contigo? – Disse de olhos baixos e tingidos de humildade.
- Podemos fazer um acordo? – Respondi de imediato – Vou lhe dar a bagana.
- Claro. Eu sou inteligente. – Agora demonstrava uma certa arrogância em suas palavras, apesar dos olhos manterem o mesmo matiz de subserviência. Uma contradição em seus atos.
- Quem disse que não é? – Falava no mesmo tempo em que mantinha a fumaça viva pelos ares.
- O Homem lá de cima faz aquilo o que quer e o que manda é lei! Vem tudo do céu! – Gesticulava firme e falava com as mãos ríspidas no ar. Apontou para o céu quando pronunciou a palavra céu.
- Fica difícil viver em um lugar onde a lei é mais uma propriedade? – A conversa tomava um caminho inusitado, mas queria entender um pouco mais deste homem, vivendo perdido sem um lugar certo, além de não poder esperar muito de ninguém. Sua mente talvez fosse uma prisão, ou quem sabe livre de verdade, mas sem dúvida era o extremo.
- Não é difícil viver por aí! A rua é minha porque Deus me deu. Eu sou um gênio – Subitamente o homem da barba começa a me ignorar, adentrando em um grande discurso caoticamente insano, pelo menos para mim – Este pessoal aqui acha que sou burro. Mal sabem eles quem eu sou. Eu sou filho do Homem! Eu também estudei e li os melhores livros. Eu li os melhores livros. O síndico vai mandar todo mundo embora quando chegar à hora. E eu? O que sou? Sou filho do Homem! – Todos seus movimentos eram de forma energética e abrupta. Algumas de suas palavras eram incompreensível, sua boca arquejava em alguns termos na hora da pronúncia, todavia para ele mesmo isso fazia total sentido. Soltei outra lufada de densa fumaça – Estamos afundando no concreto flexível e ele vai solidificar. Como sairemos então? – Continuou - Não sei...acho que depende da estrutura psíquica; de estrutura mental; de escolhas; de se conhecer bem, e de conhecer o bem. Quem não se conhece, não sabe o que faz, e conseqüentemente, não tem domínio sobre si – Dizendo estas ultimas palavras olhou para mim com seus olhos cintilantes em subserviência, contudo ainda com sua voz arrogante e áspera.
- E o que você fará a respeito? – Indaguei depois de uma longa baforada em meu baseado.
- Estou evitando me apaixonar como o resto de todos nós. Estão todos apaixonados – Seus olhos tornaram-se esbugalhados, suas pálpebras estavam extremamente expostas em um grande abismo de significados. Pelo menos me pareceu assim.
- Você realmente acha isso? A paixão tem seu lugar? – Disse.
- Claro estão todos apaixonados. Apaixonados pelas coisas. Tudo aquilo que arrasta o homem para perdição – Nisso ele coçava sua barba – Aquilo que destrói o homem, todos querem. As coisas são as coisas que nos tornam coisas.
- Pra que você quer fumar? Você já esta bem doidão.
- Eu não estou doidão. Eu sou inteligente. O homem lá de cima vê e escuta e manda todos as merdas – Percebi que o base já estava no meio pro fim, dei uma última lufada com gosto e passei pro homem de barba o resto. Ele sorriu pra mim em agradecimento, parando seu discurso, e começou a fumar com vontade. Fez menção de devolver o baseado, mas eu neguei e disse que o resto era dele, já tinha arejado as idéias o suficiente. Principalmente depois de um discurso tão incisivo e mordaz, é impossível não refletir com afinco em tais palavras e agradecer pela troca de conhecimentos, de visão de mundo. O barbudo segurava a bagana com as pontas dos dedos da mão esquerda, enquanto a outra mão levantada acenava pro alto, e eu olhava a cena com um breve sorriso nos olhos. Duas mulheres tatuadas pelo corpo todo, de cabelos longos e morenos, ambos os rostos delicados, de narizes acentuados, passavam de mãos dadas ao lado do Homem de barba. Elas sorriram igualmente para ele. Ambas se olharam e comentaram alguma coisa, chegando à face bem próxima uma da outra, quase raspando os lábios. O que me fez imaginar obscenidades com as duas. Uma de quatro chupando a boceta da outra, linguando, com os lábios repletos de gozo e baba, tanto o beiço como a xota, deixando escorrer pelo canto da boca o muco, e atrás da oradora eu metendo fundo em seu rabo. Isso não durou muito em minha mente perdida, não queria ficar tão excitado na praia, poderia fazer alguma merda. Fiquei apenas olhando as duas partirem. As bundas carnudas se movendo com graciosidade. Eram lindas e musculosas, pareciam bochechas de um rosto lindo. O Barbudo senta do meu lado esquerdo de contra o vento, não deixando mais as duas aparecerem. A fumaça me envolve, mesmo assim o odor desagradável do barbudo cobre meus sentidos. Virei o rosto com repugnância e me afastei um pouco para o lado oposto ao dele:
- Pra onde você vai daqui? - Perguntei a ele.
- Eu não vou. Eu sou levado. – Suas rajadas de verde-de-fumo eram rapidamente tragadas pelo vento.
- E por quem você é levado?
- Por mim mesmo.
- Então você vai de qualquer forma. – Olhei pra ele interrogativamente, apesar de minha afirmativa.
- Sim, claro. Mas com uma pequena diferença. – Estava agora extremamente calmo, bem diferente há alguns minutos atrás. Não gesticulava violentamente e, com o semblante cerrado, todos seus movimentos me pareciam lentos, como as ondas enormes que ao quebrarem ao longe, parecem cair pausadamente. – Quando eu vou, quem toma a decisão sou eu. Quando sou levado, não sei o que estou fazendo, apesar de ir. E quase sempre sou levado.
- Mas um homem inteligente não sabe sempre o que está fazendo?
- Não necessariamente. Um homem inteligente está bêbado a maior parte do tempo pra agüentar os idiotas desta sociedade. E todos os bêbados são levados. Pelo menos a maioria deles.
- Ou chapado – Acrescentei sorrindo. – Mas você tem algum plano?
- Sempre temos. Quero levar todo mundo comigo. – Calou-se em uma careta e tragou mais algumas idéias. – Quem você acha que tem o domínio?
- Os políticos?
- Não, meu caro. As coisas. – Levantou-se e começou a andar despreocupadamente pela orla com seu baseado. As lufadas eram nítidas vista de longe, jamais poderia ser um cigarro, a fumaça era de mais. Seu andar era descompassado, sem pressa nenhuma e, como se quase caísse, seus pés afundavam na areia de maneira trôpega a cada passo. Só percebi que ele carregava uma sacolinha quando levantou e se foi. Tiro meus óculos escuro e limpo um pouco sua lente no pano da bermuda. A maresia e o vento, junto a areia e as gotículas de água impulsionadas no ar, a deixa um pouco suja. Depois disso enxergava bem melhor, tudo era mais límpido e fulgente. Meus olhos estavam crispados pela erva, e pensando nas palavras do barbudo, fui mudando as decisões da minha vida, de mudar, talvez não o mundo, mas a começar por mim mesmo. Não podemos deixar o produto escravizar o produtor. As coisas como disse o Barba. Recoloquei meu fone de ouvido e revivi mais uma vez o clipe de minha vida (religue a música), e acabei percebendo, que também estava preso as todas as coisas que nos tornam virtuais em uma realidade doente. As nuvens chegaram turvando a claridade de maneira abrupta. Não queria mais andar até ao country. Queria agora andar até a minha consciência. Senti falta de uma reflexão mais profunda, de uma visão de mundo diferente, tal qual me apresentou o Barba. Precisava ler um livro e não tinha nenhum em mãos. Decidi voltar pra casa preso em meu maldito clipe.