segunda-feira, agosto 04, 2008

A Pérola; A Ostra E A Insólita Concha.









O sol doce na boca dos inquietos,
Chispam no reflexo das águas deslustradas
Pela consternação.
Vejo queimar suas flamas num mar de terra infirme.
Em sua crosta,
Limo;
Escorregadio,
Traiçoeiro nas rochosas montanhas no limiar da razão,
Um passo em falso e,
Sem sentidos do ser,
A idoneidade pode ser insuportável.
As pedras me cobriam e soterravam com tamanha volúpia,
Que a atmosfera criada
Aprisiona-me numa claustrofóbica existência
Junto ao meu íntimo,
Calado no preconceito;
Das formas delatoras;
Do repúdio;
De calor e
Prisioneiro do desejo que me esquece a carne.
E desta carne a guerra adentra o coração.
Não havia como fugir.
A música me aterrava os punhos
E cerrava os olhos,
Buscando nas minúcias lhe encontrar.
Contudo,
Dominou-me a aversão.
Cada nota de esperança,
Sorvida por um beijo sem paixão,
Tornava-se o desperdício.
Virei intérprete.
Atuava em vão em vã consciência.
Das rochas perpetrei meu organismo.
Fechado na escuridão,
Fiz-me ostra de uma insólita concha
Ainda que oculto,
Vivendo em rascunhos adormecidos,
O fulgor estala numa intrépida transposição,
Onde a Pérola iluminou de sobressalto
Todo o organismo destas rochosas viscosidades,
Uma razão firme,
Genial;
O amor é mais
Do que a razão pode conceber
Nada pude evitar,
A não ser me render
De corpo
A cada pedra
Num breve suspiro de amor.
A Pérola enriquece
A insólita Ostra.
Arranco-lhe a boca num chupão,
Hausto sua viscosidade num tenro vinho de gozo.
Rubro,
Tal qual o sangue,
Jorrado pelo descontrole.
Refiz minha concupiscência.
Volver a pérola tornou-se um capricho,
A extensão dos presentes
O único dos brindes que completa a pessoa que arde no íntimo.
A boceta me cala ao me colar a boca;
E me faz urrar o incompreensivo.
Tremo os poros do desejo,
Mordendo os lábios; Aperto a bunda.
As pálpebras se fecham inconscientemente.
Sinto a dor como um prazer homérico,
E nas nuvens de um escuro sentido,
Morro em milhões de pedaços
Num segundo de explosão,
Que se perpetua.
Afogado pelo prazer,
Abraço-lhe firme num sorriso aliviado,
Suspiro aéreo em vôos distantes,
A mente vaga.
O amor louco que todos fogem,
Em mim traz a razão de ser.

Lobato Dumond.

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