


As formas foram feitas para serem moldadas conforme as necessidades,
Eu não consigo mais sair do lugar,
Habito a terra sem sentido de ser.
Eu movo as pernas angustiadas,
Tentando me livrar da densidade que me contém,
E acabo afundando em novas aflições.
Talvez eu goste deste sentimento insano e nefasto.
Faz tempo em que me vejo sozinho,
Sem formas,
Sem molde aparente.
A facilidade com que me perco faz tudo parecer um labirinto,
Disforme; cheio de saídas que me levam à lugar nenhum.
Até a sua voz eu perco no meio de tanta dramaturgia orquestral.
Perco as esperanças quando me deparo com o passado,
Pior talvez o futuro,
Contudo o presente é um gozo sem fim.
Pode não ser o certo, talvez,
E mesmo até ser a pior escolha dentre tantas e infindáveis.
Porém são nelas que me finquei,
E são nelas também que me afundo cada vez mais.
Preciso tanto de uma mão,
Preciso tanto,
Que talvez você se perdesse comigo nesta imensidão sem fim,
Nesta voragem,
Neste redemoinho que não cansa de circundar minhas entranhas.
Eu volto ao passado e me pergunto: o que eu faço ali?
Deixando-me levar por estas ondas que me tragam como um vinho amargo,
Quase vinagre.
Erga-me sua mão,
Ou até mesmo seu corpo.
Ajude-me a sair de mim mesmo;
Desta enorme confusão,
Deixando transparecer todas as formas de quaisquer necessidades.
E que a lembrança seja apenas um gozo sem fim.
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