terça-feira, março 11, 2008

I - Reflexo Sem Imagem.








Os olhos ainda ébrios pela areia do sono, sentiam-se ofuscados perante a sorrateira claridade que fumegava a visão, formigando assim os sentidos em grandes devaneios torrenciais, entre a memória e a lembrança do que foi realmente o ontem, confrontando a imaginação e a incerteza do que poderá vir, além disso, o hoje e o amanhã. Ficou então inerte esperando realmente aconselhar seu corpo. Passou por sua mente a vaga palavra compromisso, palavra tão forte no comportamento moderno, talvez até na história da humanidade, mas que para este homem não parecia assim uma de suas virtudes, nem mesmo preocupações, por ser demasiadamente egoísta poderia até ser uma das alternativas, no entanto observaremos um outro defeito, sendo defeito dependendo apenas daquele de quem o interpreta, visto como o egoísta sempre achará um outro egoísta, sendo assim uma qualidade. A melancolia é aquela a qual lhe atormenta, e seus sintomas colaterais como o pessimismo, onde até mesmo a preguiça, o impediam de ter o semblante limpo de conflitos. Olhou ao redor, procurando minúcias de uma pista de imaginação que perdera ontem ao dormir.

Queria começar um outro conto, por conta disso havia tentado viver intensamente estes últimos dias de alegria, mesmo sabendo que cedo ou tarde ela sempre se renova, e para renovar ela esmorece. Até a hora em que o corpo cansou da monotonia, precisava esticar as pálpebras ainda enuviadas e densas, não podia sequer pensar em novas palavras para descrever aquele sentimento puído em todo seu ser, sua alma estava carregada de todas as formas de inquietude, resvalando no modo em que se tratava, deixando assim a barba por fazer e o cabelo esgrouvinhado, aquele homem traçava um aspecto de desdém, para consigo e aos semblantes alheios que o observasse na rua, de certo não passaria despercebido, nem mesmo aquelas pessoas que são acostumadas a observar o mundo ao avesso do adverso, lugar de origem em seus pensamentos obtusos em que nada mais lhe é estranho. De sua tez escorreu uma pequena lágrima de suor, lembrando que ao calor o corpo responde com um certo incomodo a um mais simples aquecimento do ambiente. Esta pequena mudança climática repentina o lembrou de súbito em abrir as cortinas de seu quarto e olhar para o mundo que havia esquecido. A imagem do infinito urbano aumentou ainda mais suas inquietações, as respostas que não havia perguntas, mudavam freqüentemente em seu reflexo comportamental perante a atmosfera em que habitava. Ficou um instante parado perante a janela a observar o mundo, pelo menos aquele orbe, no cinzeiro ao canto da mesma, descansava um baseado dos bons, não se fez de rogado e acendeu num segundo. A paisagem era composta por inúmeros prédios enormes que ficavam de frente para a sua habitação, separados pela rua central que passava na dianteira dos inúmeros edifícios. Era de fato um excelente ambiente para se invadir a privacidade alheia, sempre que se quisesse poderia ficar ali inerte no escuro a contemplar as minúcias do cotidiano, indivíduos se barbeando e depilando, arrancando os pêlos que nos lembram a nossa natureza, mas por cômodo, estes são sempre execrados, o escovar de dentes a um leve trocar a roupa de cama, o varrer do chão hipnótico de lá pra cá, sempre de maneira suave e sensível, era tudo magnífico aos olhos de qualquer observador, cada ação incidia em uma longa cadeia inútil filosófica, mas que para poucos não seria tão inútil. Acontece que este homem não se prendia apenas as edificações, seus instintos estavam vorazmente conectados a tudo ao seu redor. Não sabia ao certo por que tamanha curiosidade para com o mundo, junto também aquelas edificações, parecia que havia nascido há poucos dias. Claro que já nos dizia aquele velho sábio; o maior filósofo é a criança que acabara de nascer. Seus ouvidos captavam o menor dos ruídos, tudo vinha a parecer um estrépito, o menor dos sussurros se transmutava em uma ensurdecedora algazarra. Os carros não paravam de passar das mais inúmeras formas, enquanto outros aceleravam de maneira estúpida, na mesma proporção, alguns desaceleravam de maneira estúpida, sempre causando aquele início de caos matinal, o trafego rotulava um tráfico do tempo, uma contínua briga de ceder e conceder, dar e oferecer, contudo, toma mais do que doa. Seu olfato era igualmente apurado, tudo ao seu redor fedia no mais intenso fedor. Mesmo os maiores dos perfumes traziam uma fragrância cheia de histórias e sensibilidade. Há muito já havia abandonado sua mania de limpeza. Morava em um pequeno apartamento em Copa, ao lado de putas, traficantes, cafetões, velhos aposentados, velhos esquecidos e marginais em geral. Não tomou banho, saiu do jeito que estava amassado e emaranhado. Vestia uma calça de linho mal passada, uma camisa social e sapatos bem engraxados, tudo isso num aspecto largado e folgado. Adentrou o elevador e cruzou com uma senhora que o olhou de forma esnobe; ambos sentiram pena um do outro, e resolveram esquecer este sentimento tão triste. A rua fez sua mente girar de forma absurdamente desconcertante. O turbilhão de sons ao mesmo tempo, atormentou seus sentidos, de forma que um vira-lata que passara por ali vomitou em seus pés. O som urbano era ensurdecedor; carros, ônibus, caminhões acelerando, freios e guinchos, câmbios, passos e mais passos, conversas, gritos, obras, britadeira, carros, lojas, capital, folhas ao vento, passos e mais passos, pássaros, helicópteros, aviões, canos, tubos de esgotos, bueiros abertos, passos e mais passos, vidros quebrando, quebrados, acidentes, ambulâncias, carro de polícia, manuseio de armas, marchas, carros, outro caminhão, crianças gritando, crianças chorando, rindo, passos e mais passos, alguém correndo, bicicletas, motocicletas, mobiletes, frutas podres, latidos, miados, berros, falas, diálogos, discussões, e fora as vozes que não se calavam em sua mente. Tudo pareceu tão familiar e ao mesmo tempo tão distante e aturdido andou pela rua cálida.

As proximidades da razão vêm transpassando as nódoas de um antigo vazio, onde sequer sabemos se os infinitos labirintos de equações vão um dia se solucionar. Diante de tais solilóquios, a mente já vinha trabalhando as marcas de antigas cicatrizes, porém sabemos, entretanto, que nunca se fechará, não por culpa de suas forças, sendo estas inabaláveis, e sim aqueles velhos pensamentos que nunca deixarão de rondar os mesmos antigos problemas. Estas escusas amarguravam não apenas o coração deste homem que ali caminhava pensante, sua face trazia as imaculações de sua dor, assim como o reflexo de suas pálpebras em um espelho qualquer, e foi justamente neste reflexo, em uma vitrine de roupas pela qual ele passava agora, que seu queixo dobrou em sua boca, profligando tudo em seu mundo; este homem não reconhecera sua imagem no espelho; não saberia dizer quem era aquela pessoa a sua frente; aquele homem estampado em sua frente não podia ser ele; aquela roupa não podia ser sua; Aqueles olhos não eram seus; a casa em que habitava, certamente não era sua moradia, devia ser de outra pessoa; o trabalho que escolhera, não poderia ser o seu trabalho. Suas escolhas eram meras ilusões, assim como seus pertences nunca o completara, um enorme vazio se apoderou de seus sonhos e a única coisa que lhe restara era fugir de sua própria existência, fingindo ser alguém que nunca fora e nunca desejou ser. Suas pernas tremeram, enquanto a garganta urrava numa loucura arranhada pelo timbre da incompreensão. No desespero colou as duas mãos no vidro da vitrine, não acreditando no que viu; “de quem poderia ser este maldito rosto”? Não poderia ser seu. Este pobre infeliz havia se perdido há muito e nada poderia trazer de volta suas entranhas da sanidade. Alguns transeuntes passavam por ele; o observavam com medo; como quem olha um miserável animal; mudavam de lado da rua, só para não ter que presenciar tal cena aterradora; paravam simplesmente e olhavam com caretas escrotas.

“quem poderia ser? Como assim? Caralho... Que... Que é isso...”.

Não se pode ouvir muito mais. Não havia o que dizer. O silêncio tragou todas as palavras e qualquer nesga de pensamento sucumbiu ao delírio. Catatônico. Olhava em direção a imagem sem dizer porra nenhuma. Numa súbita explosão de nervos; os braços gesticulam desesperados; as olheiras tomam formas de um poço profundo; a boca baba e grita; suas pernas partem em direção ao lar, arrastando o dorso que ainda observa a imagem. A mente parecia uma plantação inestimável de dúvidas e questões. A confusão colhia os frutos e plantava novas perguntas, deixando nosso protagonista perdido em todos seus alicerces pétreos, não sabendo seu verdadeiro eu, não poderia saber do que era capaz, sendo assim, poderia ser o que quisesse, ou até o que não quisesse ser.

quarta-feira, março 05, 2008

O Amor É Pornô.




Sempre ao dormir com você,
acordo a noite e fico desenhando seu esboço;
com os olhos embutidos de ardor
contíguo ainda as lembranças de uma foda em espetáculo,
cheio de flamas.
Será deste fogo o ilustrar em labaredas.
Suas tatuagens tão cheias de cores
aumentando a tonalidade de sua palidez,
uma delicia para a boca.
O sorriso apagado pelas fantasias
enquanto cabelo liso escorrido pela testa,
além de sua respiração leve,
como se as preocupações ficassem no passado e lá morassem.
Fico lhe acariciando os quadris,
mexendo os lençóis em um círculo delicioso,
no entanto nunca deixando você acordar...
Admiro muita a sua beleza...
Seu hálito impregna minha lembrança...
Ai que saudade do seu alento,
sua boca se aproximando fervorosa,
arredia,
cheia de cuspe aliada a baba de um calor interminável.
A língua explora incansável e duvidosa,
dos carinhos que não terminam,
da sua voz adocicada pela melodia
suave e firme,
e garrida de medo, apesar da vontade,
sinto você antes de dormir,
sinto você antes de acordar...
Eu sempre lhe quis
antes mesmo de lhe conhecer,
só não sabia lhe encontrar
mas agora sei...
não preciso de inspiração,
é como se ela morasse em ti.
A tinta é a essência do quadro, é o fundamental pra a existência de toda figura, do misturar de cores e de imagens, e o que vai servir de imagem, vai ser justamente o motivo agente, causa e pretexto do sentimento que surgiu a lágrima, assim como se ouve uma música e chora inexplicavelmente.
sinto que a musica pode ser um quadro, e na mesma intensidade, a tinta pode ser a alma de uma lágrima em melodia....
a sua complexidade alimenta minha curiosidade, assim como minha confusão alimenta sua bisbilhotice.
linda....linda...a motriz de todo o belo....você é assim, uma voragem em miragem, pode ser tudo ou o nada, um verso perfeito que em si só se torna uma poesia completa.
ai... quero olhar nos seus olhos e ver o mundo maravilhoso que só vejo em você.
Uma mulher perfeita tinha que ser louca
é única
não tem semelhante
um ser humano sem semelhantes para conviver; enlouquece em sua falta.

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Aliado Inimigo





Que a poesia se torne a arma eleita pelos leais,
Pelos dóceis momentos de transtorno,
Onde as mãos nunca param de tremer
Ansiando pela pele na minha carne
E pelas lágrimas que limpam e adoçam minha alma

Que a poesia morta na boca torta,
Torne-se os dentes.
Daqueles que não sonham,
Nem quando dormem,
Muito menos quando sofrem.
Repassam suas dores de corpo em corpo,
Esquecendo-se do inicio do recomeço,
Do infinito que nos espreita,
E dos vícios que os impulsionam.

Deixe a poesia transformar os crimes insanos.
E que tudo que não presta
Seja banido,
Até o limite das fronteiras da magia.
E que reine as quimeras e o incompreensível
Que a ciência volte a regar a razão do amor.

Que meu corpo nu
Seja vestido pela sua mão poética,
Que me afaga nas noites ruins,
Envolvendo meus prantos.
E o rosto passando em meus lábios salgados
Esquecidos
Pela sorte de ainda poder idealizar
Toda poesia que servirá de arma
Nesta luta sem fim,
Contra mim mesmo.

quarta-feira, janeiro 23, 2008

Quem É Quem?









Eu visto Roupas que não são minhas,
E ando em passos que não são meus.
Porque Eu
Eu não sou Eu.

Construí-me através das necessidades
Mas de quais necessidades?
As necessidades não eram minhas,
Tão pouco, as são hoje em dia.
Estas foram inventadas por alguém.
Porque Eu
Eu não sou Eu.

Os bons modos eu deixo em casa,
Assim como a educação,
Pois só tenho uma e não quero que me roubem.
Porque Eu
Eu não sou Eu.

Eu cuspo mentiras e escarro cinismos
Estou sempre atuando pra mim,
E pra todos que me rodeiam
Porque Eu
Eu não sou Eu.

Quem pode construir, construa
E quem não pode se autodestrua,
E consuma tudo aquilo que não deseja
E nunca precisou obter.
Porque Eu
Eu não sou Eu.

Trabalho onde nunca quis
Vivo em um canto obscuro do mundo.
Meus desejos e sonhos são fetiches inalcançáveis
Porque Eu
Eu não sou Eu.

Vi-me um aborto ignóbil e modesto de mim mesmo
Porque Eu
Eu não sou Eu.
Eu sou outra pessoa que eu nunca fui
E você não é você.
Descubra-se
Descubra-se
Descubra-se
Descubra-se…

quarta-feira, janeiro 09, 2008

Transversas Travessuras.







Estava no assento de espera do analista, olhando para uma outra mulher sentada à minha frente. Tinha cara de louca a coitada; uns lábios grossos transbordando silicone, olhar fundo e penetrante, rugas ao canto da boca entregavam sua idade e a palidez de sua tez lhe dava um certo aspecto brutal de Lexotan. Suas mãos mexiam obsessivamente, hora ajeitando o cabelo, hora procurando sua sanidade no fundo da bolsa, e em certos momentos, estalava todos os dedos da mão com as duas palmas abertas, e todos os dedos se atingindo. Odeio o som dos dedos estalando, é o mais enervante de todas as manias; Plact, pluct, raprapra. Uma melequinha fez seu nariz coçar, e sem nenhum pudor, ela retirou lá de dentro um tijolo de catarro. O que eu fazia ali? Uma mulher de classe como eu no meio dum chiqueiro com esta porca sujismunda. Tentei ignorá-la, mas volta e meia ela coçava sua garganta com um som gutural, mais nojento ainda, blergt! Neste mesmo instante meu analista abre a porta e fala que é a minha vez. O que o ser humano precisa agüentar? Deixei um punzinho pra ela e entrei.
- Oi Dona Carla, tudo bem com você? – Marcos me cerca estendendo a mão num cumprimento. Ele é bem másculo, com as pernas largas e ombros teúdos. Adoro o jeito como Marcos deixa a penugem saindo da camisa entreaberta, fico eriçada como uma cachorra no cio, sinto meu clitóris se mover por de baixo da saia. Eu coço as pernas levemente por de baixo da saia, sinto meus poros abertos e cada milímetro de pêlo em pé.
- Oi Dr. Marcos, adorei sua camisa, sabia? Bem fashion, na moda, está de parabéns. – Falei isso ajeitando o colarinho de sua camisa. Marcos tentou se afastar, meio sem graça até, com um olhar tímido, mas eu fui mais rápida. Seu queixo quadrado me perturbava noite adentro.
- Obrigado, Dona Carla. Pode-se sentar por favor? – ele falou se afastando e me olhando num sorriso áspero. Sentou-se na poltrona, enquanto eu me ajeitava no divã. Deixei a saia levantar um pouquinho, queria que ele olhasse minhas coxas grossas, bem torneadas e femininas. Eu estava de salto, os deixei perto do divã, junto com a bolsa, e deitei. Meus pêlos são tingidos de loiros, o que deixa bem sensual ao olhar de um macho.
- Não precisa me chamar de Dona Marcos, você sabe disso. – Disse em tom jocoso. Amo a voz dele, grave acompanhado de um matiz sombrio.
- Não quero tirar a atenção de nossa conversa, Dona Carla. Eu já expliquei isso pra Senhora. – Adoro quando ele me repreende.
- Tudo bem, você quem sabe...- Fiquei um pouco em silêncio, sentindo toda minha feminilidade. Pensava em mim e no universo infinito. “O universo é infinito. O universo sendo infinito, está em expansão. Existem galáxias, planetas, cometas, estrelas, e uma infinidade de coisas; e outras mais que o homem desconhece...E inversamente existem as células, bactérias, vírus, átomos, prótons neutros, elétrons, e partículas ainda menores já descobertas. Existem seres vivos microscópicos, e pra estes seres, somos o infinito, tal qual o universo pra nós; e assim vai infinitamente se reciclando a vida e a energia e a matéria”.
- No que a Senhorita esta pensando? Está tão calada...
- Não sei, acho que quero ser mãe.
- Você realmente acha que está pronta pra isso? – Marcos se ajeitou na cadeira e tossiu um pouco; Cof, cof, cof. – Desculpe-me.
- Eu estou mais que pronta. Eu nasci pra isso, não vejo a hora de me ver com aquele barrigão. Acho que vou até sair em revistas pra expor minha barriga.
- Você realmente gostaria de se expor publicamente com a barriga? – Eu deixei subir de propósito um pouquinho mais da saia, quando eu cruzei as pernas.
- Eu sempre quero me expor publicamente, em todas as situações possíveis, só preciso de uma oportunidade. – Eu estava realmente divina hoje, sentia exalar todo meu sexo, o que eu realmente era. – Você me acha melhor do que a mulher ao lado?
- Como assim? – Marcos estava confuso. Eu mesma fiquei confusa.
- Digo, - Estava abismada com a falta de classe daquela mulher da sala de espera, no mesmo tanto que curiosa - ...Você não me acha mais sensual, tipo assim, ela passa a maior porcalhada. É uma mulher sem conjunto, casta. Falta uma categoria feminina eu acho.
- Nem todas são como você, né Sra. Carla? – Marcos sorriu numa volúpia de sinceridade. Eu amei. Ganhei o dia. Sentia-me mais viva, com a energia do elixir dos anjos, feito por demônios. Meu coração acelerou inevitavelmente.
- Por isso sinto pena dela, sabia? Ela não é de todo mal, mas falta muito pra ela pra chegar onde estou. - Na verdade, o que eu a faz pensar que pode freqüentar o mesmo lugar que eu? Pensei nestas conjecturas, no mesmo instante em que coçava minha coxa impacientemente, sentia um calor vindo das minhas pernas, fazendo eu me contorcer no divã. Felizmente ele não notou muito, ou pelo menos, eu pensei assim; quis pensar. – Pobre moças. Tenho pena destas Mulheres sem comprometimento com a sua feminilidade. O que somos, nós mulheres, sem poder ser mulher? – Voltei ao meu silêncio inicial. Fico ruminado pensamentos em sussurros intelectuais. Estas mulheres de hoje em dia sem classe, são umas fodedoras ridículas. Parecem coelhas desembestadas. – Você sabia que os coelhos cagam quando estão com tesão. Na verdade eles cagam quando estão copulando, você sabia disso?
- Jura? Isso pra mim é novidade. – Vi que apesar da seriedade, em seu íntimo Marcos ria num descompassado tremer de ombros. – Mas me fale mais, por que diabos os coelhos copulam num defecar contínuo?
- Haha – Gargalhei desinibida. Achei engraçado do modo como ele falou.
- O que foi? – Indagou coçando o braço.
- Nada. – Arreganhei os dentes. Fiquei com medo do batom borrar, então peguei na bolsa um pequeno estojo para retocar os lábios. - Você disse de uma maneira engraçada. Em todo caso, vou explicar; - refiz a boca e guardei o pequeno estojo - Veja bem, você sabia que os coelhos comem as próprias fezes?
- Sim, na verdade é rica em nutrientes. – Marcos falou com tanta convicção. Adoro esta confiança nele, ainda mais quando enfatiza em seu tom de voz, como fez agora.
- Então...É isso. Quando se transa bastante, ficamos mortos de fome, não é verdade? – Brincava com a saia, levantando suavemente e deixando cair nas coxas reluzentes.
- claro...
- Então, o coelho é um animal esperto, ele já copula defecando sua comida, pois sabe que sentirá fome depois. A natureza é genial, não é?
- Haha, - Marcos riu alto, num tom espalhafatoso e bem humorado. Não agüentei e ri junto. O riso sempre despertou o calor por de baixo da minha saia, estava muito estimulada. – Claro!... A natureza é genial...
- Tanto é, que mulher bonita não passa fome. – Interpelei. – Mas carregamos uma outra carga, uma face diferente da luxúria masculina. Algumas mulheres lindas e maravilhosas, acabam se perdendo por conta dos desejos, não só dos seus, mas dos seus homens. Eu andei pensando, e vi que eu poderia muito bem ser uma destas mulheres; perdidas e sucumbidas. Eu ando carregando tanto estes pesos...
- Então por que os carrega? Por conta de quem? Da sociedade talvez, do amor aos homens? – Amava ouvir os pensamentos de Marcos. Ele fluía tão livremente entre os pontos. Mas onde ele se fazia rei, era do meu calor. Aquilo que me faz frágil e mulher; e ao mesmo tempo forte e decidida, onde os homens nunca vão imaginar que possa existir. Ajeitei um pouco os cabelos. Nunca se sabe...Marcos estava tão bem, digo, tão lindo sentado àquela cadeira, de pernas cruzadas, deixando os gestos fluir pelas mãos, que fez eu me sentir insegura quanto a minha aparência. Eu que normalmente me sinto tão linda, me senti tão desajeitada, densa e trivial. Tinha que ir embora.
- Carrego o fruto das interpretações de cada beleza singular do nosso corpo. - Olhei pra cima tentando afrontar seus olhos perdidos em minhas conjecturas.
- O que você quer dizer com isso? - Levantei-me bruscamente, ajeitando a saia pra não subir muito, junto arrumei meu cabelo. Calcei o salto alto e peguei a bolsa, o encarando de soslaio, enquanto ele resmungava alto – Aonde você vai, Dona Carla? Você ainda tem uns dez minutos...
- Não posso ficar, tenho que ir...
- Você quem sabe, ficamos por aqui então. Nos vemos quarta-feira que vem? – Seus olhos estavam cintilantes, ardendo em inquietações. Provavelmente pensando em minha afirmação sobre o fruto e o corpo, algo tão intenso. Mal sabe ele o despudor que é a minha vida. Não consigo expor aqui tais pensamentos, não todos, o que deveria fazer eu mudar de analista, mas não consigo abandonar o Marcos.
- Claro, quarta-feira estarei aqui sem falta, no mesmo horário - sorri tímida. Ainda me sentia comum, desajeitada em alguns passos e a densidade me fez sentir gorda, pesada em meus movimentos. Teria que perder uns quilos. Não dei muito tempo pra ele pensar e, agarrando forte seus ombros, o puxei pra mim e lasquei uns beijos molhados em sua bochecha. Marcos tentou esconder o sorriso e deu uns passos pra traz.
- Até logo...- Saí caminhando com um pouco mais de autoconfiança, rebolava bastante, pois sabia que Marcos olhava a minha bunda. Tenho uma bunda boa, carnuda, rechonchuda, boa de pegar. Adoro quando me pegam de quatro. De súbito surge uma inevitável vontade de ir ao banheiro. Massacro com o olhar a infeliz porca que ainda permanece sentada no sofá. Entro na porta a direita e a tranco, coloco meu grelo de vinte centímetros pra fora, dou uma rajada de mijo e sinto a leveza da bexiga me levando aos vôos pro céu.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

In Aeternum Doidão








Eu quero ser um livro
Ser aquilo o que nunca fui
Sair de mim
Sair de mim
Quero ser um avião
Ser um cometa em construção
Ou um doidão
Sempre doidão
in aeternum doidão

Não importa o título em você
Nem os demônios internos
Se não pudermos ver
Qualquer beleza ardente
Eu prefiro morrer
Ser aquilo o que nunca fui
Sair de mim
Sair de mim
Quero ser um avião
Ser um cometa em construção
Ou um doidão
Sempre doidão
in aeternum doidão

Mude o que puder mudar
Faça o que for pra transformar
Mas seja um livro
Intenso insano profundo profano
Deixem os demônios
Onde sempre estiveram estar
Na ponta da língua
Pra foder e amar
Eu quero ser um livro
Ser aquilo o q nunca fui
Sair de mim
Sair de mim
Quero ser um avião
Ser um cometa em construção
Ou um doidão
Sempre doidão
in aeternum doidão

sexta-feira, dezembro 07, 2007

9 Milímetros.







Uma gota de água vinda dos céus deformou a terra já fofa pela umidade. A cidade estava um caos devido à chuva, o tráfego arruinado pelas ondas de alagamentos em toda a cidade. E seria pior se o escritor não estivesse tão pouco inspirado. As mãos apertavam com dificuldade causada pela ansiedade; sua nove milímetros. Estava mesmo decidido. Ele olhava aquela garrafa de vodka pela metade onde bebia a coragem, sorvendo em largos goles toda a credulidade de seu sucesso. Descansou sua nove ao lado da garrafa e levantou do sofá de seu moquifo, deixando vagar sua decisão por todas conjunturas possíveis. Entre a reles derrota de uma possível prisão, como a antecipação do todo inevitável; a morte. Sua testa suava, enquanto o cenho se manifestava pensante arrastando para a realidade suas imaginárias preocupações. Levou as mãos até a cabeça e, como na intenção de arrancar o couro cabeludo, em nítida aflição esfrega as mãos em sua careca. Seria engraçado se disséssemos que este homem queria se descabelar, acontece que este ser pensava melhor com estes movimentos bruscos, alimentava sua alma resoluta. Apesar de sua decisão já estar tomada, pensava em uma pequena contradição tentando ele mesmo se desestimular, sendo totalmente inútil tais reflexões. O que ponderava em toda sua aflição, era o reflexo de seus atos em seu ambiente familiar, na desgraça de sua esposa e na degradação de seus filhos, e mesmo diante desta atrocidade toda, sua determinação não esmoreceu, essas ponderações apenas o preparava para realizar o feito. Andava de um lado a outro, suas pernas vigorosas acentuavam o passo, dando mais firmeza em sua personalidade. Parou em frente ao espelho do banheiro e ficou observando seu rosto diante de si, vislumbrava minuciosamente toda sua face, as maçãs protuberantes deixavam sua fisionomia a de um homem rústico, ainda mais acompanhado de um queixo quadrado bem acentuado, as olheiras não enganavam a idade, tão pouco o estresse de uma vida desregrada. Cada ruga apontava uma lembrança distinta de alegria, e talvez a mesma ruga alegre se esconde um pouco de sua tristeza, explicando assim o seu aspecto lúgubre. Mesmo assim não se reconheceu naquela figura. Visto agora refletido no espelho o seu passado, contudo não apenas seu, a de pessoas que dependiam dele também existente naquele reflexo, lembrava da paz perdida e de deliberações equivocadas, “ai Maria, minha Preta – Exclamou em voz alta em um tom de lástima profunda. Voltando a refletir – Como chegamos a isso, que rumo erramos lá no nosso passado que culminou nesta merda toda. Parece que deletei minhas probabilidades de melhoria, só vejo saídas extremas e drásticas. O que será deles se falhar? – Imagens de Pessoas amadas percorreram sua mente neste exato momento. Seus filhos principalmente. - Estes porras dependem de mim...E pior...O que será se não fizer o que tem de ser feito. Claro que já tomei minha decisão, e mesmo sabendo ser esta a errada, não consigo me recriminar, parece que a força que me impulsiona não é nem a necessidade do dinheiro, ou a falta de outro meio de subsistência. Parece que o verdadeiro motor desta minha realização é fazer as pazes com a minha própria consciência, com a minha própria coragem – A única coisa que pronunciou alto para ele mesmo escutar, fora a palavra coragem – E sem isso não somos humanos, somos gados pro abate. Vinha refletindo nestas dores quando decidi molhar ainda mais a minha garganta, afinal havia meia garrafa pra matar. Voltei para a sala e peguei meu copo enchendo quase transbordar, tragando de uma vez só. Apesar de sempre gostar de beber em situações de estresse, e também minha garganta ser uma das guerreiras do álcool, pigarreei dilatando as pupilas junto com uma lágrima inesperada. Não esperei nada disso passar, preparei outro copo e virei num segundo. Veio uma tosse de cachorro unido a uma pressão nebulosa em meus sentidos, não podia continuar com isso, pois precisava do resto de minha sobriedade para sair bem sucedido. Peguei minha arma e coloquei parte de trás da minha calça, alojando-a nas costas. Não sei porque, mais uma vez lembrei da Maria, minha preta. Fui para o banheiro novamente”. Abriu a torneira e molhou um pouco o rosto com a palma aberta, ficando com as mãos encobrindo o rosto e imóvel nesta posição. Desatou a chorar convulsivamente, os soluços eram altos como de uma criança desamparada; perdida no parque de seus pais. Era o fim de todo e tudo que é sonho. As respostas que colhera durante a vida tornaram-se perguntas em um único relance, fortalecendo seu desespero inundado nas lágrimas. Controlou-se inesperadamente, estava pronto agora que o medo fora substituído pelo ódio. Começou a olhar o mundo em uma puta injustiça e, diante todas aquelas respostas que se tornaram perguntas, reiniciou a formular novos alicerces para seus atos, entretanto o conjunto formado seria justificado apenas pela raiva impulsionado por seu individualismo crescente. Secou o rosto em uma toalha suja pendente ao lado do Box e a jogou no chão, perscrutou mais alguns segundos seu rosto, logo em seguida retornava a sala com fúria no olhar e sem mais ponderações. Ao tomar seu ultimo copo exclamou com vivacidade em alto e bom tom, “então lute Denadai, se transforme, se inconforme porra, seja você mesmo, foda-se tudo e o mundo, insubordine-se, mate e morra, seja o caos”. Sua lágrima lavara sua alma e as incertezas, a raiva o dominava agora, suas mãos tremiam novamente, contudo por diferentes motivos. Descontrolado pelas inúmeras idéias desprezíveis que lhe atormentavam a mente chutou uma cadeira, esta esbarrando na mesinha que sustentava seu copo e o resto de vodka na garrafa e, ao mesmo tempo em que quebrava a garrafa, virando para o lado, Denadai segura violentamente sua televisão arrancando da estante que a segura arremessando de contra o chão. Realmente ele se tornara o caos, imprevisível e destruidor ao seu redor. Poderíamos dizer dentre todas suas paixões, assistir televisão nunca fora uma delas, tinha raiva da mídia, a achava vendida como a maioria das pessoas e coisas de sua contemporaneidade. Agarrou na estante e a fez tombar também, alastrando pela sala todos os enfeites que ali estava; umas baianas de porcelana que comprara a sua esposa quando fora visitar seu irmão, alguns ornamentos minúsculos trazidos de diversos cantos do país, o home theater acabou quebrando com o impacto. Ao dissipar sua raiva em seus pertences, voltou um pouco a si, olhando ao redor toda a merda que causara. Chutou ainda risonho uma das caixas de som pendentes que teimava em continuar de pé. Seus sentimentos começaram se mostrar confuso, já que o ódio dominava todas suas inquietações refletidas em suas obras, junto a esta medonha emoção estava contíguo o medo. Não um medo de alguém ou um fato qualquer, entretanto de si mesmo, de não poder se dominar, ou tão pouco, conjeturar do que poderia ser capaz. Com a respiração ofegante foi até o quarto, tirou a camisa um pouco molhada de suor, enxugou o corpo com a mesma e vestiu outra, de cor branca; não muito chamativa. Quando estava saindo do quarto lembrou da chuva, pegou um casaco de malha grossa e ao fazê-lo observa em cima da escrivaninha uma pasta com inúmeros recortes de jornais. Todas as matérias jornalísticas ali contidas, eram de uma única personalidade. Denadai se pôs a folhear. “Filha da puta, ordinário, tudo aquilo que você fez, ou simplesmente deixou de fazer, vai ter retorno agora. Estou vendo bem esta sua cara de cu sem dono, este sorriso mesquinho delatando falsidades de merda – Seus olhos cintilavam em flamejo de indignação, corroborando ao mesmo tempo em que percorria cada folha, cada figura, em cada foto daquele personagem. Não abstraia nem um segundo sequer daquelas idéias que agora era seu objetivo de vida – não sei ao certo o que fazer, vou chegar na portaria do prédio e render o porteiro. Mas pode ser estranho se por um acidente alguém ligar para a portaria e não atender ninguém. Talvez seja melhor eu esperar ele sair de carro e rendê-lo na garagem. Se bem que se ele chegar com outro morador pode dar uma merda fodida. Oras que se foda, o que tiver de ser será, mas quero deixar minha consciência limpa. Comecei a ler as manchetes de todas as folhas contidas na pasta, apenas o título obviamente. Minhas mãos coçavam pela ansiedade”, enquanto toda sua estrutura emocional se concentrava nos pilares de sua decisão. O peito cheio de esperança, convicto de que realmente era capaz de qualquer coisa, mesmo que absurda e, nada nem ninguém, poderia detê-lo. Ao lado da pasta descansava em uma porta retratos a foto de sua família. Todos nesta fotografia estavam felizes, aquele sorriso infalível, onde nada o derrubaria, a não ser a imagem premeditada e cruel das imagens que este homem estava determinada a fazer. Decidira levar a foto no bolso de seu jeans, neste mesmo instante, pensou em voz alta, “Claro, eu devo ter mesmo algo de genial, nem que seja minha estupidez”.

terça-feira, novembro 20, 2007

Messi Ou Robin.

Robinho


Não havia muito tempo que eu havia acordado de uma ressaca fodida de uma noite escrota e sem vitórias. Estava na sala esperando algo de bom acontecer, porém não queria ir a busca de algo, queria que o algo viesse até mim, o que é bastante burro e incomum. Cagava pra estes aspectos masturbatórios filosofais e continuava moribundo no canto da sala, remoendo infinitas sensações onipresentes; tédio, enfado, aborrecimento, alegria, fausto, delírio, esperança, exultação, desvario, alucinação, fantasia e a minha breve imaginação infinita. Pensava na fórmula milionário de alguma arte contemporânea; algo como um quadro nunca feito, visto ou encenado antes. Peguemos um gênio autodestrutivo, em sua fase mais decadente e oscilante entre a melancolia e a depressão. Caído ele não irá a lugar nenhum, não terá pra onde fugir ou correr, e um singular desejo suicida brotará em seu fluxo vital. Coloquemos uma tela perto dele e esperamos ele explodir a cabeça. A tela ficará formada por miolos, partes do crânio, sangue e outros dejetos cerebrais; “Voila”, é só colocar uma moldura e será uma obra de arte que valerá milhões. Imagine você caminhando pelo Louvre e lá pelas tantas o instrutor do museu lhe explica.
- Este aqui é o famoso quadro “SuicidARTE”, de Luck Jan Pierre. A vida pode ser insignificante, mas o sentido dela pode ser consumido em apenas um ato inimaginável. – Você então para, olha e fica ponderando aquela merda toda espalhada como uma mancha incompreensível pelo vermelho e o negro.
O susto acelera meus batimentos cardíacos, fazendo meu coração ser cuspido pela boca , ao me engasgar com o copo d’água. O motivo foi a entrada abrupta de dois camaradas meus; Joaquim e Magreen. Com este nome já deve se ter uma idéia do que vem por aí.
- Fala aí brotheiiiii! Ta fazendo o que aí? Olhando pras estrelas do amanhã? – Joaquim disse meio risonho e com um aspecto de deboche. Saiu entrando e trancou a porta, enquanto Magreen se aproximou e sentando ao meu lado, olhou-me com um leve sorriso cínico nos olhos. Despejou uma mochila aos meus pés e tirou de lá alguns utensílios como tesourinha, isqueiro, e dois míni sacos plásticos.
- E ai viu o último jogo da seleção... – Magreen perguntou.
- Cara, na boa, – Comecei a me ajeitar no sofá enquanto dizia – Achei uma verdadeira bosta de jogo. Que timinho é aquele...
- Muito ruim aquela merda. Parei de ver no meio – Interpelou Joaquim – na verdade vou parar de ver jogos da seleção. Só vou ver jogos do meu Mengão agora!... O time do Brasil não têm um pingo de vontade em campo, não vemos entusiasmo.
- E olha que contrataram o Dunga justamente pra ver se o time ganha algum tipo de incentivo, ver se vibra mais em campo. – Disse num tom descontente.
- Sei lá... – Magreen caminhou até a cozinha e se serviu de um copo d’água.
- É que tudo agora é estrela rapa. Só quer saber de putaria, festinhas e sair na capa de revista. – Joaquim falava com bastante convicção, gesticulava e, em certos intervalos, coçava o nariz entupido que lhe dava uma voz fanhosa.
- Claro ta tudo visível – Resmungou Magreen voltando da cozinha.
- Precisamos é de paixão, de amor mesmo, de raça e vontade – Afirmei – Claro que técnica é importante, mas quem não se empenha, não adianta a técnica. Tem que parar de pensar um pouco em si, e passar a pensar no coletivo...
- Claro! – Magreen ligou a televisão – Os malucos têm que se conscientizar, eles representam o Brasil, porra. Muita gente torce pelos caras e eles nem aí. E o Dunga...
- Coitado do cara. – Joaquim interrompeu – Imagine só você ter que comandar vinte dois malucos, bem sucedidos, milionários, reconhecidos profissionalmente e reconhecidos mundialmente...
- Deve ser uma merda mesmo – completei.
- Com certeza – Concordou Magreen.
- Mas, existe técnicos que conseguem se fazer ouvir; Felipão, Leão, Luxemburgo...- Reargumentei.
- Claro! Ó o nome dos caras, terminam com ão, porra. E Luxemburgo é nome de país chique da Europa, aí nego treme – Joaquim riu de si mesmo e complementou - O Luxemburgo que deveria ser técnico da seleção, o cara manda pra caralho.
- Eu acho que ele, atualmente, é o melhor técnico do Brasil – Concordei.
- E a Argentina? – Magreen sentou de volta ao meu lado e começou a mexer em suas coisas – Os caras tão papando tudo, tão jogando pacas.
- Pena que eles acabaram de perder a invencibilidade pra Colômbia. – Joaquim disse meio acalmado pelas imagens da Tv.
- Pena? hahaha - Riu alto - Mas aí – Interpelou Magreen, segurando um míni saco plástico em cada mão – O que vocês preferem? Robin ou Messi? Haha – Lançou uma breve gargalhada.
- Sou mais o Robin Bicho – Joaquim sorriu e frisou – O robin é mais aguçado, deixa tudo mais ágil.
- Nem acho – Comentei – Prefiro o Messi. Mais solto, rápido e parece lhe dar mais visão de jogo.
- Nada – Joaquim ia querer ficar nessa – o Robin desfaz no campo brotheiii, muito melhor. Não dá pra dormir no jogo. Viaja bem mais em campo.
- O jogo pra mim fica melhor com o Messi. Fica mais natural. – Ri baixo. - E tu Magreen?
- Porra Bicho, eu vou de Robin, bem melhor! Dá mais pulsação em campo. Hahaha...
- Então beleza...Robin então. – Concordei, afinal sou um bom perdedor, tudo pela democracia? Magreen guardou um dos míni sacos e começou os preparativos.
- Messi? – Gritou Magreen.
- Robin? – Continuou Joaquim.
- Um de cada. sei lá! Hahaha – Gargalhei ecoando pela sala.

quinta-feira, novembro 01, 2007

No País Das Maravilhas Virtuais.












Meus olhos custaram a abrir. Sentia todo o peso das pálpebras sobre meus olhos. Um certo desconforto embaçava minhas retinas. Meu corpo sentira o cansaço destes últimos dias de folia. A cerveja e os bagulhos acumularam-se todos em meus sentidos. Tudo agora fazia mais sentido, o que me fez rir olhando para o teto. Cocei a vista com os punhos e fiquei de pé num segundo. Acordei com um puta tesão de mijo, fui no Box e dei uma grande esguichada, é quase impossível mijar de pau duro. Conferi as horas no celular; eram oito da manhã. O tempo massacrava meus segundos enquanto eu ainda tentava situar meus pés no chão. Olhei pra toda casa e vi a zona que se encontrava meu apartamento. Quadros jogados em todos os cantos, papeladas abandonados na escrivaninha do quarto, a cama sempre desarrumada, uma terrível desordem em lugar dos móveis. Cocei o saco e caminhei ao redor da sala estragada pela minha preguiça. Não havia muitos móveis no cômodo. Apenas o suficiente; cama, computador, televisão e uma estante de livros de bolso, onde também descansava uma televisão e um aparelho de DVD. Claro que as telas infectavam todo espaço possível. Muitos dos quadros estavam inacabados. Liguei o computador e fui tomar um banho frio. A água arrepiou cada vértebra de minha coluna, no mesmo instante o coração decola e sobe engasgando a boca. O sabão estava no fim, teria que comprar alguns pacotes. Anotei em minha agenda mental e terminei meu banho, sem punheta desta vez. Enxuguei numa pressa absurda, deixando as costas ainda molhada, vesti uma cueca, e observando tudo a minha volta, procurando algo que nem eu sabia do que se trata, a achei reluzente sob a luz da persiana pendida. No cinzeiro perto da estante, encontrava-se a ponta das pontas. Havia me esquecido dela; a justiceira das manhãs. A luz invadia a fresta da persiana e iluminava, entre as sombras da sala, justamente o baseado no cinzeiro. Acendi e fiquei na frente do computador fumando. Iniciei o MSN, entrei no orkut, abri o jornal de hoje e entrei nos meus e-mails. A maioria das coisas eram lixos virtuais. Vi que Fábio estava On Line. Até tentei puxar um assunto, mas ele parecia não responder. Ninguém notou minha presença no mundo virtual, então ignorei a todos e segui lendo todo o lixo; corrupção, aquecimento global, guerra no Iraque, tortura, tráfico de drogas, verba mal aplicada, caixa dois, prêmios inúteis, términos de namoros entre famosos que nunca começaram de verdade, famosos escrotos, famosos interessantes, quem vendeu, quem comprou, mortos e mortes, desgraças, ciclones, catástrofes, quedas de aviões, corrupção, DNA, clone, transplantes de cérebro, sapos transparentes, genética, a própria Internet, descobertas arqueológicas, novos filmes, novos atores, grandes cineastas, excentricidades, loucura, automobilismo, futebol...Opa! Vou parar nesta matéria; Flamengo vence mais uma e está mais próximo da final com o Vasco. Isso realmente me alegrou. Continuei com o meu lixo, e já fedia pior que ralo; Corrupção, guias e mais guias, modelos, mortes, anorexia, modelos, BC interrompe taxa básica de juros, Reunião no congresso termina sem acordo e presidente vai ter que negociar, criança morre com bala perdida em favela...Fiquei cansado dos mesmos assuntos em diferentes títulos. Resolvi curtir alguns vídeos jogados na Net. Fiquei boquiaberto com um em específico, onde se pode ver que na natureza não existem apenas ignorância e crueldade, como muitas vezes assistimos por aí, até mesmo retratando o homem em certos significados. O vídeo começa com três búfalos, sendo um deles filhote, pastando na margem de um rio lamacento em algum lugar da África, sem perceber que a espreita estão alguns leões famintos, agachados entre a relva. Num segundo inesperado os leões correm em direção aos búfalos, e estes disparam em retirada, só que o filhote tem as pernas mais curtas, e sua velocidade deixa a desejar. Abruptamente um dos leões salta em cima do filhote, e os dois rodopiando, caem na água, outros leões ainda os alcançam e abocanham o búfalo caído na água, este se debate inutilmente, as presas são infinitamente fortes e agora são seis leões tentando tirá-lo do rio. O búfalo ainda tenta lutar, distribui coices vazios e tenta encolher a cabeça, largando chifradas logo em seguida. Tudo é inútil, a tristeza e a pena pelo animal me dominam. Senti na pele a fraqueza e a inutilidade de se lutar por uma derrota certa. A bravura do pequeno búfalo ia esmorecendo, o cansaço foi tomando o corpo do pobre animal, logo ele estava estático e quieto na boca de seis leões o tirando da água. Antes dos leões conseguirem tirar sua presa do rio, surge inesperadamente um crocodilo e começa a lutar com os leões para levar o búfalo pro fundo. Os leões puxam de um lado e o crocodilo puxa do outro, um pequeno cabo de guerra animal. O crocodilo estava em desvantagem, eram seis contra um, além dele pegar uma menor fatia da carne do filhote. Assim os leões vencem e o tiram do rio. Os seis leões se aglomeram em cima da presa e logo nos levam a pensar que tudo está perdido para o pobre búfalo. Não obstante reaparece o reforço; toda uma manada de búfalos veio em socorro ao precioso filhote, encurralando de todos os lados os predadores, que provavelmente agora se cagavam todo. Um búfalo de proporções bizarras, imediatamente se destaca do grupo e parte em direção a um dos leões mais afastados e o põe pra correr a base de chifradas. Isso encorajou o resto da manada. Os felinos agora estavam estáticos, apenas observavam o absurdo grupo de búfalos que se formavam ao redor. Impressionantemente o mesmo búfalo, animado pelo seu primeiro desempenho, desfere uma excelente chifrada em um outro leão, este voa uns três metros pra cima, e tão logo cai de pé, corre para longe. Uma porção da manada sai ao encalço deste felino ferido, enquanto outro dos leões foge antes de qualquer desastre maior. Os leões remanescentes se juntaram e eriçaram os pêlos das costas, mostrando os dentes afiados, ameaçando qualquer um que cruzasse a fronteira imaginária; entre o carnívoro e o ruminante. Inacreditavelmente o filhote de búfalo se levanta, dentre as patas afiadas do único felino que ainda o segurava, envolto por outros dois leões incrédulos que apenas ameaçavam a manada. Com dificuldade o filhote caminha em direção ao seu grupo, o leão ainda tenta segurá-lo, mas com a ameaça de um dos búfalos, o leão solta o pequeno e se encolhe em sua inutilidade momentânea. Não demora muito para os últimos felinos saírem em retirada com o rabo entre as pernas. Tudo isso orquestrado pela ficção natural, nada mais criativo que a própria realidade. Fiquei realmente excitado com este vídeo. Incrível como certas desgraças tomam um rumo diferente, bem na reta de chegada, uma curva pode mudar totalmente o sentido de uma estrada, e o que parecia ser um precipício, torna-se a ponte mais firme. Claro se olharmos do ponto de vista do pobre filhote de búfalos, que quase foi comido por crocodilo ou leões, pois se analisarmos do ponto de vista dos leões, estes ai se foderam feio, maré de fome total. As palavras chaves de outras páginas virtuais continuavam me seduzir, e tentando desfigurar meus sentimentos, iam me abduzindo ao longo da manhã. Estava preso há um mundo paradoxal de odeias, onde tudo é possível, e nada se fez real. A fantasia se torna mera imaginação neste sonho sem fronteiras. As cores estavam vivas, podiam se mexer, mesmo estática a retinas. A matiz se desenhava sozinha na tela. Sentia minha cútis um teclado pressionado por patas de animais, as informações inebriavam minha lucidez, a sensação existia, mas não era percebida; era uma mentira. Algo crescia dentro de minhas entranhas, remexia meu intestino do avesso, criando uma ânsia de vômito que não podia se tornar concreto, como tudo aquilo que me rondava. Minhas pupilas se dilatam aceitando as formas e os muros que me prendem. Um muro pro sol, que iluminava em nesgas de luz o pouco de minha sala, embora o infinito prendesse ainda mais a atenção em todas as cores do monitor. As páginas virtuais voavam em meio ao turbilhão de palavras e imagens, eu apenas queria verter em sonhos as fronteiras da minha fértil imaginação, sonhar com a feliz utopia em forma de simples e pura verdade, enquanto o mundo dizia que a esperança não passa de uma mentira. Entretanto nem o sonho me pertencia mais, fora vendido antes mesmo de me consultarem, até meus sonhos alguém queria me ditar. Vivia no mundo das quimeras envolto pela falsa felicidade do consumo; um dos embustes mais mentirosos de toda história. Sempre tinha em algum ponto da página alguma palavra como compre, invista, deposite, pague, adquira, obtenha, arrume, consiga, seja feliz comprando, consuma, compre, compre, compre, compre....Meu sonho agora é consumir, adquirir nas melhores promoções “o inútil” que nos preenchem todos os dias.. Estava um dia quente lá fora e o suor já escorria frio pelas minhas costelas, bem como senti uma brisa vindo da janela que me arrepiou todos os pêlos. As páginas continuavam abrindo e vendendo seus malditos links e produtos. A oferta é tão grande que se inventa a procura, cria-se em seus consumidores uma necessidade inexistente. O aglomerado de bizarrices humanas surge no meio de tanta oferta; Um gato fica maluco numa festa pelo consumo excessivo de cocaína, incrivelmente ele não morreu; um Senador norte americano decide processar Deus, pelas catástrofes naturais. O Senador ainda abriu o processo em várias cidades, pois Deus está em todas as partes; um beduíno pobre em Israel, que possui oito esposas, e com sessenta sete filhos, procura sua nona mulher; um artista decide pintar com o pau e fazer uma grande exposição na África do Sul; um chinês processa a esposa por ter mentido sobre a idade; milionária deserda netos e deixa fortuna pros cachorros; duas mulheres casadas com o mesmo homem, saem na porrada pra decidir quem doa o rim ao marido; Mulher furta sapato da moda e volta à loja para trocar; um engenheiro britânico, que roubou uma lotérica com o vibrador de sua namorada, foi condenado esta semana a cinco anos de prisão; Lá no meio das tantas, um curioso link se faz no canto de uma das páginas, junto a seguinte frase; Adentre O Mundo Da Verdade. Lógico que só poderia ser vírus. Resolvi ignorar, apesar da curiosidade crescendo em meus dedos conduzindo o mouse. Mesmo fechando a janela da página, ela ressurgia com a mesma frase, e na mesma indiscrição. Já disseram por aí, que a curiosidade matou o gato, e ainda, aprisionou a esperança na caixa de Pandora, porém da curiosidade também se fez a tecnologia. Existiam grandes chances de não ser um vírus, afinal estava em uma página confiável de alguma grande provedora de serviços de Internet. Cliquei pronto pro reboliço de imagens, esperava vasculhar os mais obscuros porões virtuais. Inesperadamente o computador desliga, interrompendo o barulho incessante de turbinas que saía de suas entranhas mecânicas. Tentei religar várias vezes inutilmente, parecia que havia sido destruído pela merda da minha curiosidade. Fiquei extremamente puto, o dinheiro não ia bem das pernas e não haveria como concertá-lo. Hoje tinha que vender alguns quadros e nada é certo neste ramo, tudo é de uma incerteza assustadora, nunca se sabe o dia seguinte. Cada segundo é muito mais que um grão de areia, é mais do que o próprio dinheiro, é uma agonia profunda ante as expectativas de um gozo divino. Fui à janela abri-la e me deparei com uma das visões mais tórridas de minha vida. O que deveria ser a paisagem de um bairro, tornara-se meu reflexo, na verdade me via por um monitor gigante, e atrás dele estava a minha pessoa. Eu estava me vendo de frente pro computador. Comecei a gritar incansavelmente pra chamar a atenção de mim mesmo, mas eu parecia não dar a mínima, continuava ali, vasculhando o inevitável mundo das quimeras. Eu era apenas um ser minúsculo preso em um mundo infindável de irrealidades, teclando, vasculhando sem dar a mínima atenção ao que realmente se passava lá fora. As falsas janelas iam se formando e abrindo em volta da sala, eu fora transportado para dentro da máquina e não fazia idéia de como me livrar disso. Fechei a janela do meu apartamento e ia fechando as janelas virtuais que se abriam sem propósitos. Eu estava confuso, além de aturdido pela improvável realidade que me consumia. Busquei sair de casa, ver o mundo de verdade lá fora, contudo ao abrir a porta, a luz me cega os olhos e nada mais é visto. Começo a flutuar em cima de uma luz secular, tudo brilhava ao meu redor. Uma parede de luz flutua paralelamente, até se perder a vista, tanto a cima como pra baixo. De repente, não mais que de repente, ela toma forma de um cilindro e me envolve, rodando em uma velocidade inacreditável. Isso estava melhor do que qualquer doce ao qual já havia experimentado. O cilindro começou a me nutrir de informações, todas possíveis, além de imagens inimagináveis, como miríades de estrelas rasgando o ventre da galáxia. Mas em todos os excessos trazem contígua sua nódoa de terror. A luz cravou em minha pele e começou a sugar toda minha força vital, tal qual um vampiro. Estava exausto e ensopado de suor, a tez escorria suas gotas me cegando diante o palco que se formava ante todas as luzes, e todas as loucuras. Nada podia fazer diante o tudo de luz que me envolvia e me roubava a vida. Berrei num ódio sôfrego repleto de tormento e dor. E tudo se fez trevas.
Meus olhos custaram a abrir. Sentia todo o peso das pálpebras sobre meus olhos. Um certo desconforto embaçava minhas retinas. Meu corpo sentira o cansaço destes últimos dias de folia. A cerveja e os bagulhos acumularam-se todos em meus sentidos. Tudo agora fazia mais sentido, o que me fez rir olhando para o teto. Cocei a vista com os punhos e fiquei de pé num segundo. Acordei com um puta tesão de mijo, fui no Box e dei uma grande esguichada, é quase impossível mijar de pau duro. O sonho ainda alimentava minha fértil imaginação. Ainda podia ver as luzes me envolvendo formando aquele tubo sensacional, eu transformado em gigante, preso na masmorra do monitor, tudo estava bastante incrível. Podia se tornar um quadro certamente. Conferi as horas no celular; eram dez da manhã. O tempo massacrava meus segundos enquanto eu ainda tentava situar meus pés no chão. Olhei pra toda casa e vi a zona que se encontrava meu apartamento. Quadros jogados em todos os cantos, papeladas abandonados na escrivaninha do quarto, a cama sempre desarrumada, uma terrível desordem em lugar dos móveis. Cocei o saco e caminhei ao redor da sala estragada pela minha preguiça. Não havia muitos móveis no cômodo. Apenas o suficiente; cama, computador, televisão e uma estante de livros de bolso, onde também descansava uma televisão e um aparelho de DVD. Claro que as telas infectavam todo espaço possível. Muitos dos quadros estavam inacabados. Liguei o computador e fui tomar um banho frio. A água arrepiou cada vértebra de minha coluna, no mesmo instante o coração decola e sobe engasgando a boca. O sabão estava no fim, teria que comprar alguns pacotes. Anotei em minha agenda mental e terminei meu banho, sem punheta desta vez. . Enxuguei numa pressa absurda, deixando as costas ainda molhada, vesti uma cueca, e relembrando o sonho, fui direto para a estante em busca da ponta; a salvadora das manhãs. Mas ela não estava lá, só em sonho mesmo. Iniciei o MSN, entrei no orkut, abri o jornal de hoje e entrei nos meus e-mails. A maioria das coisas eram lixos virtuais. Minha boca ainda estava seca pelo pseudopesadelo que me atormentara, fui à cozinha beber um copo de água gelada pra acalmar os nervos. O problema é que não havia água gelada. Esqueci de encher as garrafas, assim lá estavam elas, vazias em cima da pia. Refresquei com que tinha a mão e voltei pro universo digitalizado. Comecei a verificar meus e-mails e lá estava ele, o vídeo dos búfalos. Algo bem familiar naquele vídeo. Fiquei assustado ao me lembrar do sonho, meus olhos tornaram-se esbugalhados e eu tirei rapidamente da tomada o computador. Não saberia dizer o que me assustava tanto. Os olhos continuavam estarrecidos, sentia-os abertos mais que o comum, chegava a arder as pupilas de tão esticados. Cocei os olhos e eles voltaram ao normal. Ao abri-los estava tudo diferente, não parecia mais o meu apartamento, a sala era dez vezes maior. Na verdade não foi a sala que cresceu, pude perceber que foi eu quem havia encolhido. Tudo estava tão grande e minha perspectiva fora diminuída drasticamente. Precisava descobrir o que estava acontecendo, não sabia mais o que era sonho, ou o que era a realidade. Era uma verdadeira guerra de sentidos, significados e interpretações. Olhei ao redor e pude ver no monitor, ele ainda estava ligado apesar de fora da tomada. Corri para trás e pude constatar que do outro lado da tela, tudo estava em seu tamanho natural. Precisava chegar até lá, não podia ficar neste mundo minúsculo. Estava um pouco assustado e aflito. Minhas pernas fraquejavam, enquanto sentia meu estomago ruir, as lágrimas chegaram a umedecer um pouco meus lábios. O gosto estava doce, não salgado como o de costume. Fiquei observando ao redor se achava um jeito mais fácil de se chegar ao monitor, sem ter que subir em nada. Porém algo veio se arrastando pela porta da cozinha, meu sangue gelou. Eu era uma presa fácil deste tamanho. Todo o meu medo se tornou nojo em meados de segundos, aquilo que se arrastava saindo da cozinha era uma maldita barata. Tive ânsias de vômito, contudo consegui me conter. Não esperei saber pra que ela vinha em minha direção, Corri rumo à poltrona e arremessei meu corpo para cima, conseguindo escalar até ficar sobre ela. Podia ver melhor o resto do apartamento. Lá ao longe também vinha a barata, esgueirando-se dentre as vielas da razão, tentando lhe comer, lhe dizer algo, lhe alertar, mas eu fugia por não saber, ou não entender aquilo tudo que ela me dizia. De onde eu estava, não conseguiria chegar ao monitor, precisava pular pro Cpu, então galgar a estante e finalmente chegar ao meu destino. Não perdi muito tempo e rapidamente já estava em cima da estante, pronto para chegar perto do monitor. Olhei pelos lados para ver se achava a barata, todavia ela sumiu do meu campo visão, poderia estar em qualquer lugar. Decidi continuar pela busca do monitor, e perto dele estava uma pequena surpresa. A Ruiva Tatuada fazia pose bem em frente ao monitor, como se esperasse alguma coisa, ou alguém. Mostrava nitidamente uma inquietação no jeito que parava encostada próxima da base de sustentação da tela. Aproximei-me calmamente pelos flancos, sem deixar rastros de meus movimentos. Pé ante pé num estrépito seco, carregava toda minha perícia num passe de mágica de um mago. A Ruiva encontrava-se mais gostosa do que nunca. A saia curta mostrando as coxas brancas e rechonchudas, dando ênfase a uma bunda linda e enorme. Minha mão coçou pra não apertá-la. Em surdina sussurrei em sua orelha:
- Não esquece que o fogo quando vem, transforma e queima tudo...
Esperei alguma reação com um forte sorriso nos lábios, repleto de sacanagem e sarcasmo. Neste exato segundo em que dou meio passo para trás quando ela se vira, instintivamente dou outro passo inteiro e maior que o primeiro. A ruiva ostentava uma bela e horrenda carranca de barata. Não sabia exatamente se esta mulher tinha cara de barata, ou se a barata havia se fantasiado de mulher, mas o nojo me dominou e eu regurgito no chão. O inseto observando isso, larga mão de seu pudor, largando-se de quatro no chão e lambe todo o vômito com paixão e um tesão sublime. Aproveitei aquele regozijo escroto e me lancei de contra a tela e ultrapassei violentamente para o outro lado do monitor espelho. Sou cuspido no chão da sala batendo a cabeça no chão com violência. Sinto o sangue quente em minha testa e o seu gosto salgado na garganta.
Meus olhos custaram a abrir. Sentia todo o peso das pálpebras sobre meus olhos. Um certo desconforto embaçava minhas retinas. Meu corpo sentira o cansaço destes últimos dias de folia. A cerveja e os bagulhos acumularam-se todos em meus sentidos. Tudo agora fazia mais sentido, o que me fez rir olhando para o teto. Percebi que tinha dormido no chão da sala. Senti a cabeça latejando, como se pulsasse o crânio comprimindo meu cérebro. Lembrei da porrada que me acertara quando eu caí da tela do monitor. Achei aquela loucura toda, muito engraçada, o que me fez rir sozinho no meio da sala. Cocei a vista com os punhos e fiquei de pé num segundo. Acordei com um puta tesão de mijo, fui no Box e dei uma grande esguichada, é quase impossível mijar de pau duro. Neste exato momento fiquei estático. Estava parado no banheiro olhando e procurando alguma coisa que deveria estar ali; minha sanidade, um parafuso ou quem sabe uns neurônios novos? Contudo eu sabia que era mais medo do que curiosidade, estava começando a me assustar. Permanecia preso num ciclo de acontecimentos sem fim e não conseguia sair dele. Saí aos poucos do banheiro. Primeiro, apenas a cabeça, para depois sair com o corpo. Procurei algo de extraordinário no meio de alguma névoa, todavia nem névoas se viam. Em pequenos passos fui até meu quarto e me tranquei lá dentro; ligar o computador é o caralho! Comecei a colocar umas camisas tampando o pequeno espaço entre o chão e o final da porta, nada poderia passar por ali. Não iria ao centro hoje vender merda alguma, tinha que me livrar desta maldita rotina de acontecimentos, e ficar trancado no quarto é uma excelente opção. Encolhi-me em um cantinho do quarto e comecei esperar algo de suntuoso, uma daquelas coisas que só acontecem em sonho, a loucura em sua forma mais forte, ou na verdade as respostas interpretativas de todos os enigmas. A simbologia em seus diferentes estudos. Pura merda. A inquietude começou a afligir meus dedos, então os entrelacei e abracei meu joelho. A espera era longa, sempre a procura, olhando, prostrado, perscrutando minha imaginação e o quarto que me cerca. Reparei que a janela estava aberta, resolvi fechá-la rapidamente. Em seguida voltei pro meu canto. O tempo massacrava meus segundos enquanto os minutos se tornavam horas, e o que parecia medo, fora se tornando uma enorme palhaçada. Desisti de ficar parado ali fazendo porra nenhuma e peguei um livro jogado no chão pro dia passar mais rápido. Ao abrir o livro, as palavras todas caem no chão, formando um grande labirinto de letras incompreensível. Um sorriso insano recobre minha face, fazendo eu fechar o olho imediatamente. Logo que abri, o livro é que estava no chão, poderia apenas ter sido minha imaginação, ou uma falha na conexão com a rede dos sentidos. Coloquei o livro de lado, desistira dele, não queria abusar de minhas visões, imagina se os personagens decidem sair do livro, eu estouro meus miolos aqui mesmo. De súbito uma pequena barata pousa em minha janela. Não queria mais esperar as coisas acontecerem, iria enlouquecer desta maneira. Deste modo abri a janela e matei a maldita da barata com a palma da mão, num ataque de raiva repentino. A gosma branca espirrou em várias direções, inclusive em mim, o que me fez quase vomitar. Olhei para minha palma para ver o estrago, os resquícios da barata ficara presa em minha mão pela violência da batida. Era mais que nojento. Fechei a janela apressado; nunca se sabe. Algo começou a fazer a minha palma arder, não sabia bem porque. No segundo seguinte já havia limpado a mão em uma camisa usada que estava no chão. Outras duas baratas pousam em minha janela e começam a zanzar pelo vidro, vão de um lado a outro procurando passagem, querendo dizer algo, mostrar os fatos, quem sabe o que elas queriam? Mas eu não as queria, tinha repugnância de suas formas e de sua consciência doentia. Tinha que evitar a todo custo sua entrada. Fechei a persiana para elas não me acharem dentro do quarto. A angústia foi se aliando ao medo, fazendo brotar um pingo de suor que desce a tez, despencando do queixo e gotejando ao chão. O pingo pareceu desabar em câmera lenta, e foi crescendo a medida que caía, até explodir no ladrilho como um grande pingo. Inclusive acharia estranho, mas nesta altura do campeonato, nada mais era bizarro. O piso ficou molhado, formando assim uma grande poça no meio do quarto. Peguei a camisa usada, na qual limpei a mão da gosma de barata, e comecei a enxugar tudo. Entretanto, quanto mais eu secava, mais molhado se tornava o piso. Rapidamente abri a porta do quarto, fui à cozinha, peguei um balde repleto de água e despejei a água em todo o quarto. Realmente surpreendente. A água evaporou a própria água. O cômodo estava seco e limpo. Subitamente pingos de chuva começam a martelar a janela incessantemente, são pingos pesados, parece um verdadeiro dilúvio lá fora. O som era assustador, não havia trovões, apenas as tijoladas estremecendo a janela com brutalidade. Infelizmente sou guiado pelas curiosidades do mundo, tal qual os filósofos no topo dos prédios mais altos, tentando enxergar o horizonte eterno de conhecimento. O som do impacto só tende a crescer, a janela vibrante quase cede, mas agüenta firme, apenas deixando um fraco sentimento de impaciência. Aproximei da vidraça em passos módicos e, cheio de cautela, cheguei lentamente pro lado a persiana. Não acreditei no que vi, uma torrente de baratas cai na cidade, uma das cenas mais nojentas que já presenciei. Algumas baratas se espatifam na vidraça com imensa ferocidade, explodindo algumas delas, lançando gosma no vidro. A tal gosma parecia ácida. Um fio de fumaça começa a sair do vidro, enquanto o som de algo fritando em borbulhas o derrete. Uma rachadura imensa começa a se formar a partir destas pequenas bolhas. No desespero do terror, largo a persiana e começo a correr em direção à porta. O som das rachaduras começa a crescer, e num estardalhaço ensurdecedor a vidraça explode em mil pedaços. Consigo ainda sentir os vidros me atingindo as costas, alguns chegando a cortar minha carne. Uma barata pousa em meu ombro, logo me arremesso pra fora do quarto fechando a porta desesperadamente, e mesmo assim, consigo ainda ver a aterrorizante imagem criada pelas quimeras da consciência. Uma avalanche de baratas envolve o quarto e voam desesperadas em minha direção. Felizmente tive tempo de fechar a porta há tempo. Uma colisão terrível entre o incrível número de insetos e a porta, faz esta envergar e voltar pro seu estado normal. Nesta porrada da porta, a barata que estava no meu ombro vai ao chão. Dou uma gargalhada pelo meu êxito de conseguir escapar ileso. Parto em direção à sala, quase tropeçando em meu desespero, entretanto logo nos dois primeiro passos, deparo-me com um mar de baratas que já me esperava na sala e, num zunir frenético pelo vento de suas asas voando, atacam-me todas de uma vez. Sinto o cheiro fétido que me envolve acompanhado pelo fremir das asas, seguido pelas incontáveis alfinetas de suas patas pousando e furando minha pele. Atiro-me ao chão num grito de desespero e insanidade. As baratas começam a invadir meu corpo, rasgam a pele, perfuram os ossos, alastram-se pelos poros da pele, submergem por todos os orifícios; ouvidos, narinas, uretra, anus e adentram minha boca. O gosto de merda e ralo toma conta de toda minha percepção. Minha consciência fica repleta de pensamentos desfigurados, construídos para apenas justificar o que tem de prazer a mim, e mais ninguém. Vejo o tráfico de ideais me transformar em um pirata egoísta. O caos urbano soterra minha noção de paz, de cooperação nuclear entre todos os citadinos, deixando-me asqueroso, tal qual a barata. Vejo-me corrupto e fechado ao que não me dá prazer, só o meu prazer importa ou vale. Os valores são regrados de acordo com minha nova face de imoralidade, mas não apenas aparente, mas antiético e absurdamente fechada ao coletivo. O que vale agora, é a lei da venda, da compra e do consumo sem limites em prol apenas do prazer. A violência é apenas um meio de se manter a ordem das coisas e da hierarquia clássica. Minha epiderme começa a sofrer transformações, junto o sangue começa a ferver e salpicar gotas pelos meus poros. De súbito todas as baratas se distanciam, assim levantei e olhei meu aspecto nojento; tornara-me uma barata gigante. Vomitei no chão e me vi caindo semi-inconsciente de rosto no vômito.
Meus olhos custaram a abrir. Sentia todo o peso das pálpebras sobre meus olhos. Um certo desconforto embaçava minhas retinas. Meu corpo sentira o cansaço destes últimos dias de folia. A cerveja e os bagulhos acumularam-se todos em meus sentidos. Tudo agora fazia mais sentido, o que me fez rir olhando para o teto. Estava com um pouco de medo reconheço, não sabia mais o que poderia ser real, verdade ou invenção de uma mente doentia. Cocei a vista com os punhos e fiquei de pé num segundo. Acordei com um puta tesão de mijo, fui no Box e dei uma grande esguichada, é quase impossível mijar de pau duro. Parei por um segundo e me deixei ponderar. Tive uma leve impressão de dúvida. Contudo eu sabia que era mais medo do que curiosidade, estava começando a me assustar. Permanecia preso num ciclo de acontecimentos sem fim. Decidi ignorar tais sentimentos e continuar com meu dia. Conferi as horas no celular; era meio dia. Eu estava na merda e atrasado, ia ser difícil achar um ponto bom e vazio no Centro da cidade pra vender os quadros. Estas horas o Largo da Carioca não dava pé, teria que ficar em outro canto, quem sabe? Depois que me decidir teria que avisar pro Beiço. O tempo massacrava meus segundos enquanto eu ainda tentava situar meus pés no chão. Olhei pra toda casa e vi a zona que se encontrava meu apartamento. Quadros jogados em todos os cantos, papeladas abandonados na escrivaninha do quarto, a cama sempre desarrumada, uma terrível desordem em lugar dos móveis. Cocei o saco e caminhei ao redor da sala estragada pela minha preguiça. Não havia muitos móveis no cômodo. Apenas o suficiente; cama, computador, televisão e uma estante de livros de bolso, onde também descansava uma televisão e um aparelho de DVD. Claro que as telas infectavam todo espaço possível. Muitos dos quadros estavam inacabados. Pensei muito antes, e acabei não resistindo ao meu patético vício, liguei o computador e procurei alguma barata louca ao redor, sem êxito fui tomar um banho frio. A água arrepiou cada vértebra de minha coluna, no mesmo instante o coração decola e sobe engasgando a boca. O sabão estava no fim, teria que comprar alguns pacotes. Anotei em minha agenda mental e decidi descolar uma longa punheta. A imaginação e fantasia pode ser melhor q qualquer revista pornô. Fiquei um bom tempo me masturbando, detalhando cada minúcia de minha foda imaginativa, as curvas de mulheres perfeitas que já passaram por mim, as formas de seios túrgidos, pronto à minha boca sedenta. O gozo estava por vir, sentia sua aproximação explosiva, então fiquei pensando em bundas, amo uma boa bunda de quatro, não há coisa melhor. O tesão explode e acaba no chão, pego um lenço de higiênico e limpo o ladrilho. Logo em seguida jogo seus vestígios na privada. Depois da gozada às vezes dou uma mijada. Foi justamente quando me coloco de frente à privada, vejo bem no canto da parede, quase atrás do vaso, uma enorme ponta; O grande milagre do dia. Não hesito em pegar e a acendo na sala deixando seu perfume infestar a atmosfera. Não demora muito para eu perceber o computador ligado e ficar encarando a abdução que sofri ao longo de um pesadelo, um dos maiores e mais impressionantes que eu já sonhei, sem contar também que foi o único pesadelo que se fez prisão. Deve ser isso, qualquer pesadelo torna-se uma prisão dos sentidos, é impossível sair sem seqüelas. Estas malditas e benditas máquinas que nos comandam, pensamos que estamos no comando; mera ilusão. O computador já esta no topo da comunicação. Muitos excluídos, mas quem quiser governar ou estar no poder, vai ter que ter acesso, ou será mero fantoche de alguém que o tenha. Por sua vez aqueles que detém a máquina, acaba se tornando mera marionete da própria. Entre o vício e o poder; encontra-se o homem perdido e impotente a sua própria criação. Na cozinha bebi um copo d’água e joguei a bagana no lixo próximo a pia. Vesti-me com singular significância, precisava estar apresentável para vender os quadros. Os consumidores notam este tipo de coisa; fazer o que? Vesti uma calça preta, uma camisa social clara e sapatos. Voltei para a cozinha para comer alguma coisa, infelizmente havia acabado tudo, não havia nem frutas, teria que comer algo na padaria perto de casa. Peguei o livro de bolso, o celular, a carteira e vi a barata ao lado desta. Senti um arrepio ao me lembrar do pesadelo, de tudo que vislumbrei nítido como a realidade. Encarei a barata algum tempo e, sentindo um leve desconforto pelo modo como me transformei, por um momento talvez, em algo mesquinho e individualista, a coloquei no bolso. Peguei quatro quadros prontos e assinados, embrulhei todos eles com jornal para não danificar, e ainda amarrei em volta um plástico protetor repleto de bolinhas. Não resisti e fiquei um tempo estalando algumas destas bolinhas, é impossível resistir. Ouvi o som do computador ligado e me lembrei de desligá-lo. Eu ainda tinha o carro de Fábio, entretanto parar no Centro é uma merda. Foda também seria ir de ônibus com aquela merda toda, e táxi então nem pensar. Liguei pro Beiço para aumentar minhas opções:

- Alô?
- Qualé Beiço, João Marcelo. Tem como você me pegar aqui em casa? To com muito quadro aqui pra levar de ônibus.
- I cara, meus pais estão usando o carro a trabalho, nem tem como. Ta partindo agora pro Centro?
- To sim, mas to sem como ir...
- Como você vai normalmente vender os quadros? – Ao fundo do telefone ouvia outras vozes discutindo. De certo a namorada com quem ele mora a alguns anos. Eles vivem em altas e baixas discussões, mas sempre discutem algo.
- Eu normalmente pego carona com alguém. Certa vez, fui vender em uma feirinha ali na Barra, o Fabio me levou no carro dele. – O som de Leila, a namorada de Beiço, falando e mexendo no telefone intensificou-se, como se ela forçasse para desligar o telefone na marra. De repente o tel bate na minha cara e a conversa termina por ai. Fodam-se eles, tenho mais o que fazer; vou de Metrô. Peguei os quadros e saí desengonçado. Logo em seguida tranquei a porta de casa e, numa reflexão peculiar, fui tentar a sorte de um sonho grande; às vezes durmo e não sei se estou acordado, e às vezes estou acordado e penso que ainda durmo. Mas eu não sou louco.










terça-feira, outubro 23, 2007

Algemas Da Realidade.



Eu não me acho mais
no meio de um exército de interrogações
eu vejo o mundo ruir
e nada posso fazer para construir
e tudo aquilo que eu podia fazer fica preso, e minha mente enlouquecer
()
os sonhos são feitos de doces
de balas e outras interjeições

eu posso até cair
e sei que isso vai me destruir
nada posso mais dizer se minha boca esta costurada pelo prazer
()
o mundo vai girar
e no meio do mar ele vai lhe tragar
num grande redemoinho
e nunca vamos conseguir nadar
e mesmo que você me salve o meu destino será sempre afundar

()
as palavras perdem seus sentidos
o significado nunca mais foi transmitido
ninguém mais se entende
e ficamos a deriva em meio aos edifícios
e caímos um sobre os outros nas noites perdidas que nos santifica....Lobato Dumond.

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A Morte De Todo O Tédio.

O que me resta do mundo,
Sobra-me nas retinas de sua estrela,
De intermináveis descobrir-se.
Não se pode procurar aquilo que só posso encontrar
ao seu lado.
E mesmo quando me fecho,
aquilo que me falta à alma
transborda o peito, em harmonia junto ao seu encontro.
Deixe-me
Volte-se
Retorne assim que puder.
Nem se a areia fosse pedra,
ainda a escorreria pelos meus dedos,
deixando o tempo mais voraz contígua a
sua ausência.
O que me conforta,
é a doce imaginação.
De lembrar o sorriso no qual me cospe a cara
e da boca que me escarra os risos.
Solte as margens do concreto
Largue-se aos abstratos e etéreos,
Deixe o vento soprar suas diretrizes sem limites,
Podendo varrer para sempre as fronteiras de Fantasia.
Vamos ao espaço curar nossas caretices,
Chorando a alegria de todas as nossas curas.
Abraça-me forte,
Matando todo tédio,
e que todo amor faça o resto.........Lobato Dumond.

sexta-feira, setembro 14, 2007

As Coleiras De LuLu.




Não havia névoas neste sonho. Não podíamos dizer se era sonho, pelo menos até acabar tudo e eu acordar de pau duro, entretanto assustado. Caminhava em um apartamento sem janelas, parecia um grande encontro. Havia pessoas por todo os lugares. Algumas até estavam estendidas no chão, de braços estirados, como se buscassem apanhar algo. Alguns ao chão até ficavam rodando no plano. Trafegava por todos os lados, sentia-me onipresente. A realidade nos parece, de tempos em tempos, apenas um ponto de vista obscuro; nada nos responde, enquanto tudo nos pergunta. Caminhava em passos curtos para poder observar melhor, os fatos que aconteciam. A sala repleta de gente, não havia móveis ao longo deste cômodo, apenas pessoas. Muitos casais, muitas pessoas mascaradas e uma interminável festa aconteciam em várias formas. Ninguém notava minha presença. Caminhei pelo corredor buscando o resto de sanidade no apartamento. Poderia haver alguém ali que me completasse nesta insanidade toda. O corredor era vermelho sangue e com portas de madeira pintadas de branco. Não havia maçanetas. Empurrei a primeira porta com força, e me pareceu emperrada. Empurrei novamente com uma força significativa. E ela continuava a não abrir. Continuei empurrando as portas, havia umas sete no total. A sexta porta, antes que eu a empurrasse, abriu violentamente sozinha. Um vento assoprou meu rosto e eu fechei os olhos já entrando porta adentro. Havia um pasto onde conversavam alguns casais. Falavam sobre amenidades e besteiras sem sentido algum. Não havia nada lá, além de grama e o céu infinito, e lógico; os casais. Eles não me viam. Ignoravam minha presença. Eu morri? Morrer pode ser escroto. Não nos percebem em vida, nem em morte. Fiz uma careta e dei uns pulinhos. Fiz a posição de sapo e mugi que nem uma vaca. Eu não deveria estar ali. Coloquei o pau pra fora. Meu pau deve ser muito feio, ninguém olhou. Sambei como um verdadeiro sambista. Apenas eu me via ridículo. Via estas pessoas em uma bolha, e nada as tiravam de lá. Chutei a bolha num ímpeto de fúria. Era como se eu chutasse o vazio, meu pé voou o espaço e eu caio no chão olhando o azul celeste. Meus olhos tremeram diante da situação. Era tudo tão magnífico. Decido olhar pelo campo que se estendia até onde a visão se perdia em algumas montanhas. Antes mesmo de dar dez passos, me deparo com um precipício, não havia reparado nele. Olho para baixo e sinto vertigem. Estava em uma altura considerável. Olho para trás e pergunto pros casais o que tem lá em baixo. Eles ignoram. Apenas riem e comem em seu animado piquenique. Comecei a observar toda aquela merda. Era uma cidade, uma cidade de bolhas infinitas. Haviam grupos divididos por bolhas e parecia que as bolhas não se misturavam. Um grupo com vinte pessoas e uma bolha, não entrava mais ninguém. Até por algum motivo que eu não conseguia distinguir qual é, apenas um entrava. O estranho é que algumas bolhas enormes, não suportavam mais ninguém. Nunca cabia mais um. Decidi voltar para os casais e sua bolha. O que podia ser esta bolha? Poderia ser uma bolha social? Mas que diabos? Decidi caminhar de volta para a porta. Estava de volta ao corredor, e as seis portas restantes. Fui até a ultima e a empurrei com força. Ela abriu e eu caí no que parecia ser uma espécie de ódio. Estava puto da vida. Tudo se enrubesceu à minha vista, e meu coração batia em profunda amargura. O sabor se tornou azedo na minha língua e eu cuspi desesperado, cerrando os punhos. Estava num espaço negro sem nada, apenas a porta. Escolhe errado, estava dominado pelo ódio imortal de séculos, daqueles que acabam com povos e destrói civilizações. A porta estava ali na minha frente, eu a soco e a esmago, saio do espaço negro e vou até a porta que estavam os casais. Eu ainda arruinado pelo ódio. Entro no campo e eles não estão mais lá. Estavam apenas os vestígios imundos de seu piquenique nojento. O ódio se desfaz em grãos de areias, oscilando entre a tristeza e solidão. Tudo ficou melancólico, eu podia ver em minhas veias trafegando em suas cores cinzas. Rasgo minha pele para tirá-la de mim. O sangue esguicha pelo verde deixando um cheiro sanguinário no ambiente. Vou até o precipício e ele não existe mais. A cidade se fora, e meu sangue se torna mais cinza do que rubro. Arrasto-me até a porta novamente e saio de lá. Vou até a sala em busca de companhia, estão todos lá, meio ébrios, meio drogados, se jogando um em cima dos outros como carnes em corpos de mármore; tudo muito frio. Algumas fodas vieram a tona; gemidos, ganidos, e gritos sensuais peã sala cheia. Os próprios móveis eram pessoas nuas. Senti certa repugnância, não da cena em si, mas do frio. Um homem veio em minha direção. Estava com uma roupa estranha, um grande manto de sacerdote.
- Boa tarde, vejo que já se aventurou por duas portas fronteiriças.
-Sim! Sim! Agora vou tentar a janela, pra ver se completo meu suicídio. – forcei uma gargalhada, mas bem verdadeira, pra não perder a piada escrota. Ele nem sequer mostrou os dentes. – Foda-se você!
- Você quer alguma das meninas, senhor? – Logo atrás dele se ergueu sete mulheres estonteantes. Não precisava ser gênio pra perceber que cada uma representava uma porta.
- Quero todas! E ai? – Cruzei os braços em um tom arrogante.
- Você pode tudo! Mas será que você suportaria este tudo?
- Porra, para de falar que nem os Mestres dos Magos! Parece viado! – O ódio ficou incrustado na minha pele. Não saía, e o cinza mesclava com o rubro ardente.
- Todas as portas lhe mostram o que você quiser ver. É só abri-las. Mas tem coisas que você não vai querer ver, então elas não se abrirão. – Fez uma reverencia de leve, enquanto as mulheres aguardavam em posição; frias em seu olhar distante. Elas não me viam, apenas aguardavam.
- Bom, lá vou eu. – Fui em direção a uma das mulheres. Era bem nova, devia ter uns 20 anos. Uma beleza bem singular. Olhos claros em uma boca sedenta. Ela tem um olhar único e vibrante; hipnótico. Estava séria e seu olhar para um ponto fixo. Eu decidi ficar com ela. Peguei-a em meus braços, dei colo e gritei para uma outra qualquer - Você aí! Cinco, vem comigo! Sai com a mais nova no colo e entrei na porta número dois. Era uma sala bem grande, tinha inúmeros utensílios; Uma cama enorme, mordaças, ball gag, algemas. Cordas, paus, vendas, e um grande X de madeira no meio no cômodo. Elas sorriram sutilmente, finalmente elas me viam. Os olhos brilhavam refletindo as algemas da loucura. Os pensamentos me surgem como uma música, algo mais forte dita a idéia principal, e no fundo do subconsciente, timbres mais sutis, onde até mesmos alguns ignoram, questionam a idéia principal, trazendo a harmonia. Coloco a Mais nova no chão, a morena de olhos castanhos. A número Cinco a deseja, nitidamente em seu olhar o vazio dá lugar ao anseio. A Cinco é uma mulher de vinte e cinco anos, com bundas e seios fartos, apesar de magra. Parecia milagre ou uma puta cirurgia plástica. Sua cabeleira era longa e negra. A cinco me encarou nos olhos com um leve sorriso. Imediatamente lhe dei um leve tapa na perna, ela estremeceu o mesmo sorriso e eu a acertei na cara, com o as costas da mão. Ela parou de sorrir por dentro, mas seus olhos exteriorizavam uma intensa alegria. A Morena rui só pra levar também. Elas vestiam calça jeans e top. Mandei as duas tirarem os tops, queria ver os seios, mas disse para conservar as calças. Elas obedeceram em silêncio. Ficaram as duas com seus seios as amostras, ambos túrgidos e com os bicos eriçados. O da jovem de cabelo castanho, conseguia ser mais rosadinho, sua pele era pálida, bem clara. Dei-lhe um tapa só para ver se a marca ficava. Sua tez logo ficou vermelho, bem forte, dava pra ver bem o contorno da minha mão.
- Hum...Vocês são bem gostosas, estou admirado. Venham cá as duas! – Fui penetrando o quarto e vendo tudo o que poderia usar.
- Cinco, seu nome a partir de agora vai ser Luana. E o seu vai ser Luisa. Eu quero ver as duas se beijando. Agora! – Luana não me pareceu gostar muito da idéia. Seus olhos entreabertos se fecharam por completo e sua boca estremeceu em uma feição contrariada. Luisa por outro lado deixou entrever um sorriso, bem obsceno. Eu gostei disso. Lasquei-lhe um chupão na boca sem avisar, bem molhado. Minhas mãos foram logo em sua bunda. Luana ainda tentou dizer...
- Mas...Meu senhor...Eu não posso... – Dei-lhe logo um tapa na cara, o que fez Luisa sentir ciúmes, percebi em seus olhos. Desferi um tapão nela também pra nem pensar em reclamar.
- Aqui você não quer nada, não fala nada, nem cogita em pedir. Aqui você obedece meus caprichos. – via em meus braços, o cinza e o vermelho misturados em seus matizes, criando uma nova cor. ora um dominava, ora outro me subjugava por completo. Este era um momento perigoso, ter apenas uma cor. Estava satisfeito ali, mas curioso com as outras portas. – Outra coisa, não me chame de Senhor, que porra escrota. Chame-me de...hum...Meu Amor. Excelente. Agora eu sou o amor em sua forma pura e simples. Sou mais que um chocolate, mas muitas vezes confundido com seu excesso. Vamos lá, quero ver um beijo! – Luisa tomou iniciativa, sua excitação era perceptivelmente significativa em seu corpo. Luana hesitou e andou pra trás enquanto Luisa se aproximava. Segurei a cabeça de Luana e a obriguei a beijar a jovem moreninha. As bocas colaram e começou um beijo leve, enquanto eu mamava os seios de Luana. Não teve escapatória a não ser se excitar. Dei um tapa na nádega esquerda de Luisa, com moderada força. Ela gemeu com a boca abafada pelo chupão. O beijo não demorou muito pra ser uma grande troca de babas. Era bom ver aquelas línguas brigando por espaços. Agachei e fiquei com a bunda de Luana na minha cara, ela ainda estava com o jeans.
- Luisa, tira as calças dela pra mim!
- Sim Senhor! – Provavelmente ela disse aquilo de propósito. Ela gosta de uma boa porrada. Dei-lhe o que queria, um tapa grosseiro na boca. Ela gemeu e quase tombou. Não demorou muito e estava desabotoando as calças de Luana. Eu me agachei novamente e fiquei esperando atrás daquela bunda magnífica. Quando a calça caiu, pude ver, claramente, a bunda das bundas. Bem torneada e feita com maestria pela carne que a enchia. Mordi com força, até deixar marca e ela gemer de dor. Delicia. Enfiei um dedo em sua boceta já úmida pela novidade, insegurança e o medo. O palco estava em um clima tenso, ela esperavam ansiosas pelo toque.
- Luisa arreganha a bunda da Luana pra mim.
- Não.
- Como assim não? – Levantei bruscamente, no mesmo tempo que ela se fechou. Eu não bati, fui pegar umas algemas. Ela entreolhou pelos dedos e vi o que eu havia feito. Luisa ainda tentou sair pela porta da frente, mas fui mais rápido e a algemei. Depois a despi e a coloquei na posição do pau de arara em uma madeira que cortava o quarto na altura de nossas cabeças. Precisei de uma cadeira que estava ali perto.
- Me tira daqui! – Dei-lhe um tapa com a palma da mão bem na bochecha que logo ficou rubra. Suas cores mudavam a cada segundo, mas não era como meu rubro, era um rubro mais rosado. Luana estava estática observando tudo. Não teve coragem de fazer nada, apenas terminou de tirar as calças. A coloquei de quatro na cama.
- Empina bem pra mim. Isso. Agora pisca este cu rosado! – Comecei a dar uns beijos de leve nas nádegas, passando a língua levemente em torno do ânus, e lambia de leve também a boceta. Fiquei nestas carícias um tempo pra ela se acostumar. Aos poucos enfiava a língua com força em seu rabo, arregaçava bem forte, as pregas saltavam e a língua cortava bunda adentro. Sem ela perceber coloquei nela uma coleira preta de couro, puxando violentamente em seguida. Ela não esperava e gritou assustada.
- Espera. O que vai fazer? – Ela veio tombando mas a segurei. Peguei um dos cintos que estavam no chão e a surrei nas coxas. Ela gemeu e ameaçou chorar, mas no fim sorriu agradecida. Luisa esperava em silêncio, havia certa agonia em seus olhos, mas sua boca a traía. Os dente semi-abertos em uma satisfação de prazer. Luisa estava totalmente indefesa, de cabeça pra baixo, com as pernas amarrada às mãos e totalmente nua. Peguei Luana pelos cabelos e comecei a forçar em direção a Boceta de Luisa. Esta tremeu com certa repugnância, e Luana também não gostou da idéia, tive que usar da força. Dei uma porrada violenta no dorso de Luisa e um safanão na cabeça de Luana. Elas resignaram e Luana caiu de boca na boceta sem mais pestanejar. Vagarosamente ia apenas passando a língua com certo nojo.
- Pare, vou molhar ela um pouco pra você! – Eu chupava com força, sentia o clitóris na minha boca. Chupava e cuspia, deixava tudo muito molhado, de muco, de gozo, de saliva, de baba. Voltei a empurrar.
- Meu amor, não, deixa como está! – Parei uns segundos. – Pare, não quero chupá-la. – Coloquei o pau pra fora pela primeira vez.
- Mama minha pica! – Ela chupava com amor a cabeça do meu pau. Literalmente fazia amor. Chupava amorosamente, entre a violência, o desejo e a gula. Lentamente tirei o pau e fui empurrando ela pra boceta de Luisa que já pingava seu desejo no chão. Luana agora chupava a Boceta bem, com desenvoltura, chupava e beijava como uma boca, sempre delicada e com leves toques no clitóris. De tempos em tempos fazia mais força. Dava uma sugada com tamanha violência que se ouvia o estalo. A jovem moreninha gemia alto, e eu a calei com meu pau em sua boca. Luana já se empolgava agachada e com a boca cheia de boceta. Soluçava baixo, mas com um tesão absurdo. Abria com as duas mãos os lábios carnudos da Jovem Moreninha e linguando, sorvendo, cuspindo e sussurrando todo seu prazer, ia dando seu amor, ao seu novo amor. Beijei a boca de Luisa, ela estremeceu e gozou freneticamente. Não agüentou as linguadas da Luana. Acontece que a paixão estava grande ali, foi uma grande descoberta, então continuou a chupar aquela boceta molhada de gozo. Direcionei-me atrás de Luana e comecei a meter naquele ventre volúvel, me aceitou com incrível desenvoltura. Era quente e viscoso. Escorreu um pouco de muco. Lambi e voltei a meter. Não precisei ficar ali muito tempo metendo pra Luana gozar logo. A Puxei pela coleira pro lado e encaixei na Xota de Luisa. Era mais apertada e tava muito mais encharcada, senti os pingos voando em minha barriga.
- Que delicia de Boceta, gostosa pra caralho, goza no meu pau! – meu quadril ia e vinha em absurda velocidade. O estrepito do choque de quadris era intenso e impetuoso. Comecei a dar tapas na bunda de Luisa, em seguida puxei Luana pela coleira e a coloquei para sorver o rabo da jovem Moreninha. Ela lutou no inicio, mas foi apenas pra levar mais um tapa na cara. Deixava claro em seus olhos a vontade de chupar aquele cu. Tanto é verdade, que lambeu rindo. Luisa chorava de prazer. O corpo trêmulo e convulsionado ia se desfalecendo nas amarras, e ela chorava e chorava cada vez mais, de prazer. O gozo da Jovem Moreninha foi longo e duradouro. Deixei ela descansar um pouco naquela incomoda posição. Voltei a puxar Luana pela coleira e a levei até o X que estava no meio do aposento. Amarrei com a bunda virada pra trás. Ficou de costas pra mim e a cara em sentido oposto, assim não poderia me ver e prever nada. Havia uma chibata por ali, e foi ela mesmo que a usei pra sentar a porrada nas costas de Luana. Ela choramingava e ria como uma louca. Passei um tempo surrando suas costas, a bunda também. Ela não era tão pálida como Luisa. O rubro nela não aparecia tanto assim, mas as marcas estavam ali; a bestialidade no corpo, a brutalidade humana. Parei um minuto com tudo. Admirava a figura feita, as duas amarradas aos meus pés pros meus desejos bestiais. Sentei na cama e fiquei sentado conjeturando meu próximo movimento. Elas não me viam, apenas gemiam em silêncio, esperavam e pediam em murmúrios. Ameacei a sair do quarto. Mas não havia mais nada lá fora pra mim, isto era minha realidade, meu novo amor. Quando vi estava envolto por uma bolha, nós três estávamos, pela mesma bolha, fazíamos parte de um mesmo fim, de uma mesma ignorância. Resolvi sair da bolha e vi milhares de pessoas ao meu redor que não via antes. Havia me tornado aquilo que mais me perturbava; a deturpação. A questão que me via era; a bolha serve para se ignorar os outros que estão sempre lhe observando. Mas usar a bolha no cotidiano não faz sentido; talvez num relacionamento pra se manter a lealdade, fidelidade. Pra que usar tal instrumento num maldito piquenique? Assim vamos sempre nos ignorar. A bolha social. Revesti de novo em minha bolha e voltei ao quarto com meus dois amores. Coloquei uma coleira em Luisa e acariciei-lhe o rosto. Ela suspirou aliviada e soltou um breve gemido. Comecei a lhe chupar a boca incansavelmente, ela chorava pequenos grunhidos de tesão. Sem avisar, nem os movimentos deixavam nítido a intenção, desferi um tapa violento em seu rosto. As lágrimas começaram a escorrer entre suas bochechas rosadas. Soltei seus braços, ainda deixando suas pernas presas, Luisa ficou como se plantasse bananeira. Fiquei de joelhos e enfiei meu pau em sua boca, e comecei a chupar-lhe a boceta. Estava mais que úmida, chegava a escorrer pelo canto dos lábios. Parei e fiquei olhando um pouco sua xota piscar. Cuspi baba e gozo por todos seus lábios. Observava dimanar pela pele branca. Lasquei uns pequenos tapas nas coxas, até avermelhar, e voltei a mergulhar num linguajar de boceta rosada na Luisa. Os estalos do chupão eram altos, preenchiam a sala com o ar do despudor. Luana tentava ver alguma coisa torcendo o pescoço pra trás, mas ela estava completamente imobilizada pela cruz. Retirei a Jovem Moreninha do pau de arara e a coloquei carinhosamente na cama, a acomodei de quatro e ajeitei seu rabo me dedicando ao máximo de afeto. Alcancei uma corda que estava jogada por ali. Dei algumas voltas em torno de seu cotovelo, depois amarrei os pulsos, e finalizei contornando duas vezes entre o meio das duas imobilizações, e dei um nó. Via a alegria de seu sorriso sobrepor o medo dos seus olhos. Peguei o ball gag e a amordacei. Arregacei o máximo que pude, com as duas mãos, as nádegas. O cu se convulsionava em um piscar frenético. Não sabia se era pela ansiedade ou pelo temor. Cuspi umas três vezes. A bunda estava completamente babada. Peguei outras duas cordas e amarrei cada uma em uma das coxas de Luisa. As pontas das cordas amarraram no pé da cama. Não haveria como ela se soltar, tão pouco fechar as pernas. Enfiei um dedo bem devagar em seu cu, A Moreninha fitava em silêncio. Estava bem apertado, o dedo médio entrava com dificuldade. Com o tempo, um dedo entrava e saía mais facilmente. Abri mais a bunda e cuspi novamente lá dentro. Parti para dois dedos. Luisa grunhiu um pouco, mas logo se calou. Comecei a fode-la com os dedos, e a cada afundada de dedo, cuspia sobre o rabo da Moreninha. Sentia uma certa resistência, era realmente apertado aquele cu. Retirei os dedos e voltei a meter a língua adentro, afundava toda minha cara naquela bunda enorme. Meu pau começou a explodir de tesão. Não conseguia mais ficar naquela brincadeira de dedos. Caí de pica naquele rabo. Parecia não entrar de jeito nenhum, a cada tentativa Luisa gritava abafada pela mordaça, ela tremia toda em meio as cordas que a envolviam, talvez de tesão, quem sabe até mesmo pra se libertar, mas era inútil. Seu cu era todo meu. Segurei firme meu pau e empurrei com bastante força, afundando a pica toda. Luisa tremeu e gritou feito louca, e eu não parava de bombear firme. Toda investida em sua bunda, era um gemido alto. Luana ainda tentava olhar, se contorcia, jogava o dorso pra trás e virava o pescoço.
- Vai Meu Amor, come esta piranha, arregaça ela, come que ela gosta.
- Haaa...Uma delícia mesmo, empina mais pra mim, empina...
- Mete na boceta também, mete!
- Cala a merda da boca que eu não quero gozar ainda! – Sentei um tapa forte na nádega esquerda de Luisa, deixando mais vermelho do que antes. Minhas veias saltavam entre o cinza e o eterno rubro. Luisa não parava de gemer e contorcer. Mexi meu quadril freneticamente, num ritmo violento, e comecei a massagear o clitóris. A Moreninha tremeu, gemeu e parou. Eu bem que estava louco pra gozar, mas me contive. Soltei Luisa e retirei o ball gag. Atravessei o aposento e coloquei o apetrecho em Luana. Meti a pica em sua boceta e comecei leves movimentos. Era bem gostosa, apertada e úmida. Fiquei um tempo naquela foda, enquanto Luisa se recuperava na cama. Apertava seus seios túrgidos, firmemente. Deixava fluir todo meu desejo.
- Luisa! Venha aqui! – Meus poros exalavam todo meu impudor, a saliva era o cuspe de uma libido desesperada pelos sonhos da inquietude. Mordi o pescoço de Luana; tinha uma carne macia e cheia do gosto da perversidade. A Moreninha apenas se contorcia na cama. – Luisa! – Ela se levantou lânguida e se arrastou até minhas pernas e prostrou de joelhos. Tirei meu pau da boceta e coloquei na boca da Luisa. Ela engoliu até o talo e engasgou. Fiquei admirando o fio de baba que se formou até a cabeça da minha pica, quando retirei o pau de sua boca. Também decidi meter no rabo de Luana. Saí adentrando bunda adentro. Era um cu mais largo, receptivo, As pregas já foi há muito, mas não quer dizer que ela não grite. Foi tudo de uma vê só; a metida, o berro e a mordida que dei em sua orelha. Tampei suas narinas e a deixei asfixiar um pouco. Luana tremia desesperada, mas eu não fazia isso durante muito tempo. O cu comprimia meu pau e eu já ameaçava gozar. Removi a pica do rabo de Luana e dei novamente pra Luisa mamar. Era uma chupada forte e muito babada, saliva pra todos os lados. Peguei a cabeça da Moreninha e a fiz chupar o rabo arrombado da Loira. Uma cena realmente linda. Isso me transformou aos poros do prazer. Cheguei a cabeça da Luisa pro lado e afundei minha vara ardendo. Não demorou muito para nós dois gozarmos num ritmo convulso numa singular irrequieta freneticidade. Meus olhos viraram, o urro foi involuntário, contudo alto e rouco. Mesmo depois de gozar mantive metendo até cansar. Um pouco depois ofereci ainda o pau para a boca gulosa de Luisa; uma abocanhada violenta. A Moreninha limpou tudo direitinho, não deixou uma gota de porra. Soltei a Loira da cruz e seu corpo estava meio dormente, logo caiu ao chão e se abraçou amorosamente em Luisa. As duas estavam belas juntas. Beijaram-se um pouco cheio de dengos e afagos, para em seguida dormirem abraçadas. Eu apenas observei em pé, diante uma incredulidade aparente, apenas aparente. Decidi sair do quarto e voltar a sala, e fiquei estarrecido ao constatar que saí direto na cidade de Bolhas; as malditas Bolhas sociais. Estava sozinho ao meio um turbilhão inúteis de pessoas e bolhas. Sentia-me vivo no meio dos mortos. Andava pelas tortas ruas de um bairro qualquer, ao qual nunca tinha visto ou ido. Meus pés sentiam o peso do corpo com o dobro de força. Eram edifícios enormes, todos cinzas e decrépitos, ordenados por lojas em sua base. As bolhas traziam grupos pequenos de pessoas, e só se relacionavam entre elas. O suor começou a fazer meu pulmão transpirar em desespero, os joelhos fraquejaram e eu adoeci o semblante, estava pálido. As cores que me animavam foi esmorecendo e o branco me dominou. Ninguém notou. Na verdade ninguém notava nada. Havia outros atirados ao chão como eu, estavam maltrapilhos e fedendo. Também não tinham bolhas. Estas pessoas eram brancas, esquálidas e sem perspectivas. A feição morrera em algum ponto fixo do passado, ou um futuro que não se concretizou. Eu precisava resistir a isso. Tentei sorrir e um fio de lágrima desenha uma cena triste em meu rosto. Chorei copiosamente, e nem uma alma veio ao meu socorro. Ergui meu dorso estendendo as mãos aos céus, e as estrelas me sorriram diante a penumbra. Consegui arranjar forças sabe-se lá onde, talvez em crenças do subconsciente, a fé inabalável no infinito, não importa; eu estava de pé. Tentei ainda ajudar as pobres almas caídas, peguei pelo braço, ofereci a mão a outros, todavia não tinha jeito mesmo. Eram apenas carcaças. Não tinham bolhas e ninguém mais os viam. Basta estar vivo para se transformar a realidade; eles não acreditavam mais nisso. Estavam esperando o fim, enquanto eu esperava o começo de algo. O cinza que alimentava minhas veias agora some ao meio do caos rubro. Eu era eu novamente. Nada melhor do que ser você mesmo, não fazer parte de bolhas sociais. Tentei conversar com pessoas dentro de suas bolhas que me ignoraram solenemente. Determinadas bolhas interagem entre si, no entanto muito pouco. A maioria das pessoas que estão presentes, não estão ali, parecem não existir tal qual os caídos ao chão, elas simplesmente estão na bolha e são levadas aonde quer que a bolha vá; não possuem escolhas. Andam e riem sem sentido ao meio de um significado obtuso. A última coisa que veríamos ali era a graça. Estava aturdido por uma realidade cruel, inúmeros corpos caídos ou bolhas contendo duas pessoas perdidas ao caos de bolhas e bolhas com inúmeras pessoas zumbis. A expressão era não ter expressão. Decidi pular nas bolhas e explodi-las diante minha cólera, chutava e socava a entrada, mas a bolha repelia meus movimentos. Senti-me desnorteado pela falta de lucidez, achei que fosse desmaiar, ia vegetar pendente junto aos caídos da cidade. Já havia andado cinco quarteirões e decidi correr pelos prédios e cavernas do bairro. Pulava os caídos como obstáculos a serem vencidos. Estes olhavam pra mim incrédulos, até tentava ajudar alguns, mas logo se deixavam levar pela cinza melancolia e decaiam de novo lentamente, com o corpo mole e com a feição apática, os olhos embotados de agonia e aflição. Os caídos até se viam, observavam a tudo, mas também ignoravam as bolhas, assim tal qual eram ignorados. Continuei correndo impulsionado pelo rubro de minhas veias salientes. Minhas pernas sentiam o calor dos músculos trabalhando, a dor era prazerosa e ao mesmo tempo agonizante. O suor brotou e senti uma linha de transpiração esfriando minha pele efervescida. E quando todo meu corpo pedia pra eu parar, que o ar faltava em meu pulmão, as pernas fraquejavam diante a fadiga e junto ao suor que me cegava; foi quando corri mais e mais. Ao longe vi uma bolha gigantesca envolvendo um armazém, ela pulsava e preenchia a paisagem com sua forma grotesca e fascinante. Aumentei a velocidade junto a dor dos meus músculos. O fogo queimava e ardia minha consciência com o excesso de exercícios. Os transeuntes envoltos em bolhas passavam longe. Eles viam a bolha gigante do armazém, contudo não viam os caídos que se arrastavam pra lá. Outros corriam que nem eu, e ainda gritavam como se estivessem ausente do mundo, mas na verdade nunca estiveram tão presentes. Subitamente parei e voltei a caminhar. Suava bastante. Os pés estavam mais leves e a endorfina desenhou um sorriso em minha face. Havia homens e mulheres entrando armazém adentro, havia esperança em suas ações, a fisionomia ia ganhando forma a medida que se aproximavam da bolha grotesca. Lógico que muitos caídos não se aventuravam a se mexer, estes não tinham mais jeito, era esperar algum milagre ou o fim de tudo. Era um contra censo não ter bolha e correr desesperadamente pra uma enorme, ou poderia ser até compreensível; aqueles que não tem, procuram desesperadamente por uma. Dão o motivo de sua existência aos significados que o todo lhe dá, e não o sentido que almejam em suas almas, e neste caso, ficar sem uma bolha, é não se conhecer, não poder ter aspirações, é não ter alguém para se deixar levar. Os que faziam parte de alguma bolha ali perto, largavam tudo e corriam pro armazém, porém poucos tinham esta coragem. Comecei a caminhar em extrema cautela, havia um tumulto na entrada e saía alguma claridade da porta principal. A luz me cegou e tudo escureceu. E eu caminhava em uma estreita passagem. Meu coração voltou a disparar; ansiedade, curiosidade, felicidade, euforia, agonia, angústia, alegria, beleza, aflição, tormento, fortuna e sorte. Todos esses sentimentos me fizeram explodir o poder de se estar vivo. A iluminação era magnífica. Um número considerável de pessoas estava dispersa por toda parte. Esfrego meus olhos e tento enxergar melhor, tudo estava muito confuso. Sacudi a cabeça pra levantar todos os sentidos. Muitos pássaros voavam por todas as direções, circulavam no teto que parecia o infinito, as luzes brilhavam tal qual estrelas cadentes. Uma mulher vestindo botas longas até o joelho de couro preto, corset vermelho e luvas roxas, puxava um homem de quatro pela coleira. O homem estava trajando apenas uma malha transparente. Ainda de quatro, o Cara começa a lamber as botas de sua dona. Duas mulheres estavam se beijando perto de uma pedra ao longo do caminho. Parecia um grande festival de subversão imaginária. Estava em um grande espaço, onde o chão era terra e o céu límpido e infinito. Os pássaros continuavam a voar, e davam rasantes sobre nossas cabeças. Ninguém tinha uma bolha, as pessoas rondavam por cada esquina e tinham de todas naturezas. Dois sujeitos passaram por mim vestindo cada um uma máscara negra. Estavam sem camisa e de calça jeans apenas. Parei e olhei em círculos, rodei e rodei em busca de um campo perfeito de visão. O grupo que havia acabado de entrar seguia um fluxo de energia azul que conduzia pela galáctica. Não havia paredes, apenas morros e montanhas que se estendiam no ilimitado manto da crosta. Todo mundo seguia o fluxo, se uniam como insetos em busca de calor da luz. Estavam juntos, entretanto “não presos”. A afetividade aumentava a vivacidade humana de todos presentes. As estrelas continuavam cadentes, e a terra se fez rainha dos corações decaídos em seus frágeis temores. Começamos todos escalar a montanha que parecia não ter fim, os delicados dedos se tornaram fonte de uma força fenomenal, os pés seguiam o ritmo das mãos a cada alavancada do corpo. Mais uma vez o corpo era acionado e logo a transpiração inundou os poros de suor. A escalada parecia a eternidade. Sempre que se achava que chegaria ao topo, vinha mais e mais montanha de pedra. Os dedos começaram a sangrar, uns caiam, outros despencavam, mesmo assim os remanescentes continuavam a subir interminavelmente. Senti alguns pingos vindo do céu, estava começando a chuviscar. A água lavou nossas almas e nos deu mais força pra viagem. Cada respingo refletia um suspiro mais refrescante, deixava o corpo mais leve. Logo os pingos foram aumentando, o que era um se tornou três, e o três se tornava sete. Os dedos começavam a fraquejar, achava que iria cair. As pernas sangravam arranhadas pelas pedras. Nada podia me parar, os dedos fodidos, as pernas rasgadas e a chuva que aumentava a cada metro de montanha. Certo momento a água caía como cascata, muitos não resistiram e começaram a despencar montanha abaixo, iam rodopiando no ar e giravam batendo a cabeça pela montanha. Eu segurei como se meus dedos fossem aço. A dor aguda fez eu sentir a ponta da vida esfaqueando meu ser. Infelizmente não foi o suficiente, meus dedos cedem e eu começo a cair em uma velocidade violenta. Num último movimento desesperado, consigo me agarrar em um pássaro que voava ao meu lado. Seguro em suas patas, e o falcão voa, voa longe e forte, sempre pra cima. Pude constatar que estávamos escalando uma cachoeira, a água se dissipa antes de chegar ao chão, evapora no meio do caminho. A água da cachoeira vinha de uma abertura no meio da montanha, parecia uma caverna. Um dragão branco voa de repente saindo de dentro da abertura, porém ignora a todos solenemente e flutua em direção ao espaço. Muitos passaram pela queda d’água e agora chegavam no topo. Continuaram a seguir e começou a correr num susto. Eu ainda voava pelo céu que nos jurava o eterno. As estrelas somem e se torna um dia claro, e o sol que nasce, já inclemente por entre as montanhas, fulmina tudo em fogo. Acontece que este tempo era iluminado pelo sol e adornado pela lua ao seu lado, e mais planetas surgiam de uma penumbra qualquer do espaço; Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão. Até a Galáxia de Andrômeda se via distante, porém presente. O Universo é o único verdadeiro poeta. A paisagem contornava sem limites o meu campo de visão. O que se mexia lá em baixo não podia ser humano, dava a impressão de que eram apenas seres microscópicos perdidos em algum tecido vivo. O falcão preparou e se soltou. Caía em velocidade máxima rumo ao chão. Senti o vento se chocar contra minha face estarrecida pela queda. Minhas bochechas se encheram de ar, enquanto a cara amassada urrou em euforia.
- PORRAAAAAAA!!!!! – ao me aproximar mais do chão, larguei das patas do falcão e rolei na terra aos pés do tumulto formado pelas pessoas que dominavam o topo. Rolei no chão com extrema habilidade, contudo não consegui evitar ralar algumas partes do corpo. Logo se formou um aglomerado de curiosos, mas muitos vieram em socorro. Uma mão pegou em meu braço e me ajudou a levantar, sacudi a cabeça pra espantar a tontura e bati na roupa pra tirar o excesso de poeira. Os olhos me observavam, não me senti julgado, afinal não havia muito que julgar. Eu ouvia vozes que não saiam de bocas, e vi coisas que pareciam fazer meus olhos mentirem. Não sabia onde estava, mas me sentia bem, o tumulto se dispersou e pude ver onde me encontrava. As fogueiras queimavam e liberavam as cinzas no vento. Parecia uma aldeia formada no cume da mais pura magia. No meio da aldeia passava um rio que corria ao contrário, e ao invés da cachoeira cair, ela subia ao céu e perdia-se de vista o seu fim. Contornando todas fogueiras, as misturas de gente dançavam e corriam em nome de alguma liberdade. Lançavam as mãos para cima, berrando e sacudindo o corpo numa alegria convincente, e poderia até despertar inveja nas almas mais infelizes. Sentia vir todo aquele calor, do fogo explodindo as cinzas, e o corpo explodindo em êxtase. Contaminava qualquer coisa que se mexia. O que mais atraía todos ali, era justamente este calor vindo da fogueira e de seus dançarinos. Corro para perto da dança ao redor do fogaréu e abasteço minha alma com a mais repleta satisfação. Uma manada de unicórnios surge no meio da concentração de pessoas, trazendo encanto e perplexidade. Vou de encontro a um unicórnio e pulo em sua garupa. Ele corre numa velocidade absurda em volta de todos, e foge em direção as águas do rio invertido. Subitamente somos levados pelas águas violentas, rodava no fundo pela força de sua correnteza sem deixar de observar o unicórnio se induzir em diversas novas formas. A água fazia meu corpo contorcer, como se algo brotasse de dentro do meu peito. Minhas mãos ardiam e se transformavam em algo inconcebível, não consegui distinguir o que podia ser. Virei meu pescoço com dificuldade em direção ao unicórnio, seu chifre caíra e o sangue brotou nas águas. Alguma coisa surgia em seu dorso. Estava difícil de enxergar em baixo d’água, a visão embaçava, apenas conseguia sentir meu corpo junto ao fluxo interminável. Subíamos junto com a correnteza. Abruptamente virou queda, não sei bem o que aconteceu, um turbilhão me girou e o que nos fazia subir nos soltou. Caio girando entre as pedras da montanha, batendo em outros indivíduos que tentavam chegar ao topo. Algo estranho aconteceu. Apesar de estar com um corpo extremamente maior, agora me sentia mais leve, meu corpo havia mudado. Tinha asas e podia voar. Metade de mim era cavalo junto a minha metade humana. Tornei-me um centauro alado. Mais uma vez gritava eufórico e decidi voar em direção ao sol. A luz me cegou e tudo escureceu. Abri os olhos com extrema dificuldade, podia ver e sentir o giro do mundo. Não existiu névoa neste sonho. Não podíamos dizer se foi sonho, pelo menos até acabar tudo e eu acordar de pau duro, entretanto assustado. O poder de nossas vidas. Sentia duas cabeças comprimindo meu peito. Luana e Luisa dormiam abraçadas ao meu corpo. Levantei-me calmamente sem acordá-las, e as deixei na cama. Elas se abraçaram e voltaram a dormir. Fui até minha poltrona e acendi um cachimbo dos bons. A fumaça densa renovava o que deveria ser uma névoa de um sonho louco. Levantei da poltrona e parei de frente pra cidade. Ela me encarava com um olhar cruel, e pude ver que ela ainda estava ali; a cidade das bolhas. Todos em bolhas perdidos e em um devaneio morto. Acabei me sentindo preso em um maldito aquário, e soltei mais uma densa névoa em um sonho louco; o poder de um sonho, é o poder de nossas vidas.